Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 17/07/2018
Progressão geométrica democrática
Sabe-se que as redes sociais facilitam, de maneira abrangente, o contato entre as pessoas. A ferramenta transformou-se em um importante meio para a divulgação de trabalhos, reencontro de velhos amigos, mas também para reunião de pessoas em prol de passeatas e protestos. Há porém, um problema que se destaca: um cenário de ativismo apenas virtual, não tendo efeitos concretos.
De forma geral, a organização de movimentos pela internet é capaz de aglomerar enormes números de pessoas em manifestações de rua. Além de passeatas como “Orgulho LGBT” ou movimentos raciais, muitos eventos têm ocorrido no Brasil em razão de problemas políticos. O “Fora Dilma”, segundo seus organizadores, contou com a presença de 6,9 milhões de pessoas. Tal número pode ser explicado pela divulgação e propagação de locais e horários pelas redes sociais como o Facebook e o WhatsApp. Dessa maneira, a internet quando utilizada de maneira massiva pode gerar reflexos na política e na democracia.
Entretanto, o ativismo virtual, muitas vezes, dá espaço às ruas desertas, sem manifestantes e sem organização. Nas palavras do sociólogo Manuel Castells, uma vez que “não basta apenas criticar na internet, é necessário que o movimento seja visível”. A inércia do indivíduo que só se revolta online não é saudável para os movimentos sociais. Por exemplo, a “Marcha das Vadias” no Canadá reuniu somente 3 mil indivíduos - se comparado com o “Fora Dilma” é um número insignificante -, mesmo tendo o apoio (em forma de “textões”) de diversas páginas e de pessoas no Facebook. Assim, não importa a quantidade de suporte dado ao movimento pela internet, se não possuí de fato presença nas ruas.
Portanto é evidente que apesar de ser uma grande ferramenta nas reivindicações populares, a internet pode ajudar a desorganizar movimentos ou nem mesmo sustentá-los. Para resolver esse problema é preciso que surja a necessidade do povo de participar da cidadania. Esta necessidade surge com alguns passos; o primeiro é o surgimento de um líder (no caso brasileiro é o Lula ou o Bolsonaro); o segundo é a legitimação do movimento (combate à corrupção, reivindicações de direitos, etc) através de uma casta de intelectuais (pensadores como Cortella, Karnal, Clóvis de Barros e Olavo de Carvalho); o terceiro e último é a organização da massa, ou seja, a determinação de horário, lugar, data, entre outros, para isso é necessário o uso das redes sociais. Assim, a tecnologia será utilizada corretamente no âmbito democrático e social.