Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 04/09/2018
A primavera árabe foi uma onda de protestos, revoltas e revoluções populares contra governos do mundo árabe, que abalaram a estrutura política de diversos países, motivadas pela falta de democracia e utilizando as mídias digitais em conjunto com as redes sociais, mobilizaram a população entorno de um ideal democrático. Nesse viés, as plataformas digitais apresentam-se como um espaço democrático de interação e empoderamento da população, servindo de mecanismo para a propagação de ideais e de meio de articulação de movimentos populares.
Segundo o filósofo brasileiro Silvio Gallo, a internet é uma das maiores ferramentas democráticas existente, pois, a mesma tem a capacidade de dar voz aos excluídos, configurando-se um espaço democrático. No demais, o fácil acesso as informações de cunho político na internet exercem papel preponderante no incentivo a participação nas decisões nacionais, o que promove um aperfeiçoamento no processo democrático. Com isso, a esfera digital contribui gradativamente para um maior engajamento coletivo, fortalecendo os movimentos populares e reafirmando os preceitos democráticos.
No demais, se faz necessário destacar que as tecnologias possibilitam a organização de movimentos sociais em prol da garantia de direitos básicos da sociedade civil, sendo, portanto, instrumentos valiosos para a democracia. Em 2013, no Brasil, os protestos contra a corrupção tomaram as ruas de diversos estados, onde tal movimento teve sua origem nas redes sociais e reivindicaram inúmeras melhorias na realidade nacional. Entretanto, quando esse ativismo pela internet causa a sensação de total cumprimento dos deveres cidadãos e passa a transparecer somente no espaço virtual em detrimento das diversas dimensões da vida dos indivíduos, torna-se um problema.
Portanto, se faz necessário o desenvolvimento de medidas que assegurem o bom uso do espaço digital como meio de interação e participação democrática. Assim, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve desenvolver uma plataforma direcionada a participação democrática, construindo assim um local de melhor interação, livre dos assuntos paralelos que as redes sociais apresentam, permitindo um diálogo mais coeso e centrado. Concomitantemente, é fundamental que o Ministério da Educação (MEC) desenvolva, junto as escolas, palestras e fóruns de debate a serem ministrados por professores, a fim de incentivar o senso crítico e a participação política dos alunos não apenas na internet, mas no cotidiano. Outrossim, o MEC deve incorporar na matriz curricular nacional o ensino da política, com o intuito de fomentar o interesse na participação democrática, assim proporcionando o desenvolvimento de uma sociedade consciente.