Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 02/11/2018

“A humanidade está adquirindo todas as tecnologias certas por todas as razões erradas”. De acordo com Buckminster Fuller, o mau uso dos aparatos tecnológicos é, muitas vezes, mais considerável que sua própria invenção. Portanto, é evidente que a tecnologia e seu impacto à democracia brasileira usados de modo errôneo aproximam a realidade nacional do pensamento do escritor estadunidense. Por causa disso, apesar da globalização auxiliar a aproximação de encontros e manifestações, urge a necessidade de problematizar a soberania absoluta quanto ao uso da internet no exercício da democracia. Do mesmo modo, quando usada para o cenário investigativo, plataformas tecnológicas que permitem o compartilhamento de informações falsas e antidemocráticas revelam-se presentes no país.

Em primeiro plano, revela-se, de acordo com o jornal Correio 24 horas, que em dez países 64% dos jovens, de 15 a 18 anos, costumam checar as redes sociais assim que acordam. Por meio dessa perspectiva, interpreta-se que os meios comunicativos respaldam conteúdos, independente do assunto, a todo instante. Haja vista isso, como observado na Jornada de Junho de 2013, por intermédio das redes sociais, a população se mostra unificada, ainda que em cidades distantes, na organização de protestos. Entretanto, o domínio virtual pode demonstrar-se nocivo quando se sobrepõe ao âmbito real, uma vez que toma proporções somente na esfera cybernética, por limitar a luta popular.

Além disso, as redes sociais têm ganhado relevante importância no que tange à confiança dos internautas. Exemplo disso é o levantamento do site Buzzfeed que expõe o Facebook como fonte segura de manchetes para 83% dos entrevistados. Dado isso, a comodidade obtida pelo rápido acesso de informações disponibilizadas pela internet, também traz consigo a sensação de veracidade em seu conteúdo, que permite o compartilhamento de falsas notícias que influenciam na ação ou omissão individual de circunstâncias externas. Outrossim, a impunidade dos autores dessas chamadas “fake news” reflete a perpetuidade desse malefício corriqueiro, sobretudo, em épocas presidenciais.

Face às considerações exploradas, compete ao Ministério da Educação, em parceria com a direção escolar, o incentivo às causas sociais e culturais, por intermédio de professoras, aulas sobre política e debates em sala de aula, para que fomente o espírito político estudantil. Ademais, cabe ao Pode Legislativo o enrijecimento de leis, em temos de cárcere e penas de multa, às empresas e aos indivíduos autores de informações infundamentadas, além da disponibilização e divulgação de sites e telefones a fim de denúncias, por meio de links ou capturas de tela, para rastrear a fonte desrespeitosa à democracia brasileira e possibilitar a diminuição da reincidência. Somente assim será possível a construção de um país diferente da premissa de Fuller.