Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 02/11/2018

No final do século XX, com o início da globalização, iniciou-se um processo de integração e influência entre os países. De modo análogo, no Brasil, esse avanço tecnológico modificou a dinâmica política e ocasionou em impactos na democracia. Nessa conjectura, foi estabelecida uma discussão para analisar as consequências negativas dessa transformação no processo democrático brasileiro. Dessa forma, a capacidade de influência dos mecanismos digitais e seu fluxo exacerbado de informações contribuem para a ocorrência de efeitos negativos no setor.

Em primeira análise, destaca-se que a rede integrada de comunicação direciona os posicionamentos políticos da população e tal fato é ocasionado por esse serviço — assim como todos do sistema capitalista — ser controlado pela disponibilidade de capital dos clientes. Nesse viés, consoante com a filosofia sofista constituída em dar mais valor à retórica do que para o compromisso fidedigno com a verdade, instituições governamentais investem em publicações que promovem apenas seus aspectos positivos e oculta os negativos. Portanto, essa manipulação informacional dificulta o esclarecimento de uma grande parcela da sociedade e compromete a compreensão da realidade democrática do país.

Ademais, ressalta-se que o elevado número de dados que os adventos tecnológicos, como a internet, disponibilizam é um obstáculo para o acesso integral de informações acerca da gestão dos governantes. Essa dificuldade é gerada, pois uma das características da contemporaneidade é enaltecer a quantidade em detrimento da qualidade, o que é observado quando uma pessoa preocupada em assimilar muito informação dá atenção apenas a resumos ou enunciados e negligencia o conteúdo completo. Logo, segundo Jürgen Habermas, esse contexto é classificado como uma comunicação ineficaz e impede que os integrantes de uma comunidade entendam o democratismo ao qual estão inseridos e possam participar efetivamente de decisões referentes ao coletivo.

Urge, portanto, que ações sejam realizadas para solver a problemática. Mormente, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, responsável pelas políticas de integração em rede, garantir que a população acesse mensagens relacionadas à gestão do país sem vínculo com interesses subjetivos, por meio da elaboração de um canal televiso sem fins lucrativos que exponha os acontecimentos de interesse público da forma como foram concebidos. Desse modo, o objetivo é mitigar a influência dos mecanismos digitais em assuntos democráticos. Concomitantemente, cabe aos núcleos familiares explorar integralmente publicações referentes à ação dos governantes, por intermédio de debates em que seja abordado, de forma crítica, tais acontecimentos. Assim, será possível agregar mais do fluxo informacional e gerar um impacto positivo da tecnologia na democracia.