Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 30/01/2019
Ágoras do agora
A democracia surgiu em Atenas, na Grécia, e visava a participação dos cidadãos - aqueles definidos pelo Estado - para a execução de debates de interesses públicos, realizados em praças públicas - as ágoras. Na sociedade brasileira do século XXI, as ágoras estão de volta, chamadas, no entanto, de redes sociais, e diferente da Grécia Antiga, não há exclusão de cidadãos, uma vez que os indivíduos da sociedade possuem acesso às redes sociais. Assim, as redes sociais propõem uma maior participação na vida política, mas também oferecem riscos com a falta de confiabilidade que, às vezes, transmitem.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2016, 116 milhões de brasileiros estão conectados à internet, sendo 94% deles utilizando as redes sociais. Nessa era, as redes sociais possuem um grande impacto na democracia, uma vez que, aumenta-se a frequência de manifestações iniciadas no meio virtual que são trazidas para a realidade cotidiana, como as Jornadas de Junho - manifestações contra o aumento das passagens de ônibus nas grandes capitais do Brasil. Além disso, esses meios de comunicação em massa flexibilizam os debates e discussões, pois as plataformas permitem a criação de grupos que abrangem um grande número de pessoas, logo os debates são mais frequentes e acompanhados por diversos indivíduos.
No entanto, os riscos oferecidos pelas redes sociais também influenciam na participação política da população, especialmente pela crescente era da pós-verdade, onde as notícias falsas são facilmente confundidas com notícias verdadeiras, causando indignação e revolta por parte de militantes de oposições. Um exemplo disso foi o período de eleição presidencial no Brasil, em 2018, onde foram disparadas fake news em massa, que geraram um peso para o resultado final das eleições. Segundo estudo realizado pela organização Avaaz, cerca de 89,77% dos eleitores do Presidente Jair Bolsonaro acreditaram nas notícias falsas nas quais foram expostas.
Posto isso, vale ressaltar que medidas são necessárias para que o impasse proposto seja resolvido. Logo, é imprescindível que as grandes redes sociais, como Twitter e Facebook, juntamente ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), criem filtros virtuais que possam verificar a veracidade das notícias que venham a ter um cunho tendencioso, excluindo-as das plataformas antes de serem visualizadas pelos usuários, fazendo com que o algoritmo não as recomendem mais. Dessa forma, as ágoras virtuais proporcionariam confiabilidade para os usuários e não gerariam conflitos entre grupos com ideais diferentes.