Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 26/08/2019
A Primavera Árabe, desencadeada na Tunísia em 2011, foi resultado da insatisfação dos povos frente aos regimes ditatoriais vigentes no Oriente Médio, em virtude do caráter opressor e despótico desses. Nesse contexto, a tecnologia, sobretudo por meio das redes sociais, foi uma ferramenta necessária para essas mobilizações em diversas regiões abaladas politicamente, e como viria a ser no Brasil, posteriormente. Logo, as técnicas atuais são importantes para a manutenção da democracia brasileira, pois contribuem para a vigilância dos atos do poder público e para um ambiente de liberdade de expressão e de debate, que favorecem o exercício da cidadania dos indivíduos.
Em princípio, sabe-se que a democracia brasileira foi ampliada a uma grande parcela da população somente com a Constituição de 1934, no período que em que o voto se tornou secreto e foi alargado às mulheres. Contudo, a observância das práticas dos gestores políticos foi negligenciada até a ascensão da internet, onde se possibilitou num maior acompanhamento dos debates políticos e das ações públicas, como é o caso da Lei de Acesso à Informação em todas as esferas dos poderes. Dessa forma, o Ministério do Planejamento do Rio Grande do Sul, por exemplo, criou um aplicativo para plataformas digitais que ajuda a população a denunciar casos de má gestão do dinheiro público nos mais diversos serviços, o que aproxima o indivíduo do seu papel cidadão.
Ademais, segundo o IBGE, pouco mais de 50% das residências brasileiras, atualmente, têm acesso à rede de internet, cujos jovens são os que mais passam tempo navegando pela rede virtual. Desse modo, esses estão mais expostos aos debates dentro das redes sociais, o que evidencia um maior engajamento político em relação as outras gerações que não tiveram da web um ambiente de discussão. No entanto, apesar de todos os avanços democráticos ocasionados pelos debates dentro de um ambiente virtual, expressiva parcela da sociedade brasileira ainda a sofre com essa exclusão digital, ferindo os direitos políticos expressos na Declaração Universal dos Diretos Humanos da Organização das Nações Unidas, em 1948.
A tecnologia, portanto, é uma aliada na democracia brasileira por ampliar o monitoramento político e por favorecer nas discussões coletivas. Assim, o Estado deve estender a rede de computadores e de internet para o restante da população brasileira, mediante investimento de infraestrutura nas escolas, principalmente nas regiões mais marginalizadas, a fim de que todos possam utilizar da tecnologia para a sua integração político-social. Além disso, o governo deve criar mecanismos de feedback social por meio das principais plataformas digitais, no intuito de receber críticas e sugestões. Destarte, futuramente, a tecnologia será um instrumento de engajamento político para os brasileiros.