Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 25/10/2019

A luz própria

“Colabore com a lei/ colabore com a light/ mantenha luz própria”. O poeta marginal Chacal detinha uma linguagem subversiva à época da ditadura militar brasileira e usava o mimeógrafo para fugir da censura. Hoje, provavelmente, ele utilizaria um smartfone e as redes sociais. Assim, as novas tecnologias de informação tornaram-se um difusor cultural. Porém, também podem causar impactos positivos e negativos à democracia, por meio da organização de protestos através do Facebook, bem como a divulgação das “Fake News”, via Whatsapp.

A priori, os poetas marginais se valiam dos mimeógrafos para burlar a lei do regime de exceção e espalhar seus versos sobre liberdade, mesmo com alcance limitado. Nesse contexto, atualmente, a população utiliza a internet para exclamar sua voz. Segundo a rede social Facebook, em 2015, 2,3 milhões de brasileiros marcaram presença em eventos de protesto contra a então Presidente Dilma. Desse modo, o cidadão brasileiro conta com um impacto efetivo da tecnologia em seu cotidiano, assim a vontade popular pode ser expressa além das urnas.

Outrossim, a era digital aproximou a população de seus representantes no congresso, com a possibilidade imediata da opinião favorável ou contrária a um projeto de lei que esteja em tramitação. Entretanto, a tecnologia também tem um ponto negativo que é a difusão das “Fake News”, através do Whatsapp e segundo um estudo da UFMG, 92% das noticias políticas difundidas pelo aplicativo são falsas. Em suma, a propagação de boatos, como que o congresso quer acabar com a saúde pública, é um exemplo de efeito desfavorável do uso da tecnologia na democracia.

Destarte, a tecnologia tem impactos positivos ou negativos na democracia brasileira, dependendo da sua utilização. Nesse contexto, o Estado deve facilitar os meios de comunicação entre a população e os parlamentares – pois é um dos pilares do regime democrático – por meio da criação de canais de ouvidoras estatais, como um aplicativo de celular, a fim de promover uma maior integração entre representantes e representados. Ademais, os congressistas precisam criar leis para punir com rigor os que compartilham “Fake News”. Por conseguinte, os meios tecnológicos retiraram da marginalidade a participação popular e os deram “a luz própria”.