Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 31/10/2019

A luz própria

“Colabore com a lei/ colabore com a light/ mantenha luz própria”. O poeta marginal Chacal detinha uma linguagem subversiva à época da Ditadura Militar brasileira e usava o mimeógrafo para fugir da censura. Hoje, provavelmente, ele utilizaria um smartfone e as redes sociais. Assim, as novas tecnologias de informação tornaram-se um difusor cultural. Porém, também podem causar impactos positivos e negativos à democracia, por meio da organização de protestos através do Facebook, bem como a divulgação das “Fake News”, via Whatsapp.

A priori, os poetas marginais se valiam dos mimeógrafos para burlar a lei do regime de exceção e espalhar seus versos sobre liberdade, mesmo com um alcance limitado. Nesse contexto, atualmente, a tecnologia é fundamental para o pleno exercício da democracia. Segundo a rede social Facebook, em 2015, 2,3 milhões de brasileiros marcaram presença em eventos de protesto contra a então Presidente Dilma. Desse modo, os brasileiros podem participar ativamente do andamento das pautas governamentais, bem como mostrar o seu descontentamento.

Outrossim, a era digital possibilitou a aproximação da sociedade com o Congresso Nacional, uma vez que a opinião popular é imediata a um projeto de lei que esteja em tramitação. Entretanto, a tecnologia também tem um ponto negativo, que é a difusão das “Fake News”, através do Whatsapp, e, segundo um estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), 92% das notícias políticas difundidas pelo aplicativo são falsas. Em suma, apesar de facilitar a participação popular com a política, a tecnologia pode atrapalhá-la com os boatos.

Destarte, a tecnologia tem impactos positivos ou negativos na democracia brasileira, dependendo da sua utilização. Nesse contexto, o Estado deve facilitar os meios de comunicação entre a população e os parlamentares – pois é um dos pilares do regime democrático – por meio da criação de canais de ouvidoras estatais, como um aplicativo de celular, a fim de promover uma maior integração entre representantes e representados. Ademais, os congressistas precisam criar leis para punir com rigor os que compartilham “Fake News”. Portanto, símil ao pensamento de Chacal, a tecnologia impacta positivamente na possibilidade da população adquirir a “luz própria”.