Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 16/06/2020
Seja para entretenimento, acessibilidade ou setores burocráticos, é notório que, como disse Steve Jobs, a tecnologia move o mundo moderno. Consoante, isso é perceptível no investimento brasileiro em tecnologia, visto que, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Softwares (ABES) o país investe 60 bilhões por ano na produção tecnológica, classificando esse mesmo como 9º maior investidor do mundo. Contudo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, pouco mais de 30% dos brasileiros não tem acesso à internet, evidenciando que, como afirma Pierre Lévy, toda tecnologia gera seus excluídos. Dessa forma, observa-se que apesar do grande investimento tecnológico e da atuação dessa mesma como catalisador para a evolução, a desigualdade do acesso impacta de forma negativa e fere o conceito democrático.
Primeiramente, é notável a tecnologia como fator constitutivo no desenvolvimento brasileiro. Com o advento das máquinas, a facilidade de acesso em serviços governamentais aumenta a segurança e a velocidade das informações. Desse modo, uma vez que o país se encontra no estado temporário de isolamento social obrigatório, diversos serviços - como o recebimento e cadastro do auxílio emergencial - têm sido disponibilizados virtualmente. Tal facilidade de propagação não é apenas dos serviços, mas, também, das informações, concedendo informação sem risco de contaminação ou necessidade de mobilização do indivíduo.
Paralelamente, percebe-se o impacto na democracia causado pelo acesso restrito a tecnologia à uma parcela populacional, tendo em vista que grande parte não possui as ferramentas ou conhecimento necessário para sua utilização. Isso, então, evidencia que a necessidade da tecnologia atual não condiz com a facilidade de aprendizado das informações e nem com os altos custos exigidos, tornando o acesso a tecnologia limitado e gerando uma parcela populacional excluída dos serviços disponíveis, ferindo o conceito democrático de isonomia, já que, de acordo com a Lei Pétrea prevista no Artigo Constitucional 5, todo cidadão é igual perante a Lei.
Portanto, é evidente a importância da tecnologia à democracia e o impacto negativo causado pela desigualdade de acesso que assola essa mesma. Destarte, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) - órgão responsável pela gestão e investimentos tecnológicos, realize, em parceria com a ABES, métodos para a informação popular e acessibilidade por meio de políticas públicas de integração tecnológica social desde a socialização primária até à terceira idade, para que haja cumprimento do conceito democrático previsto constitucionalmente, a fim de continuar movendo o mundo com a tecnologia - como disse Steve Jobs, mas diminuindo a parcela de exclusão dita por Lévy.