Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 22/06/2020

A eleição brasileira de 2018 foi marcada pelo uso maciço das redes sociais. Manifestações contra e a favor de candidatos tiveram estopim na rede doméstica de internet. Nesse sentido, o uso da tecnologia tem assumido diferentes papéis: no primeiro a legitima por meio do acesso a debates sociais e no segundo há a promoção de discursos de ódio.

A priori, é inegável que causas sociais têm ecoado mais na sociedade brasileira graças à internet. Isso porque com o mundo cada vez mais conectado há o acesso facilitado à informação e à debates políticos antes restritos a uma pequena parcela da população. Nesse contexto, o Movimento Corpo Livre, criado pela ativista Alexandra Gurgel, traz para as redes sociais o questionamento do ideal de beleza imposto à mulher. Por meio dele, mulheres de diferentes classes sociais são convidadas a questionar o padrão de beleza e aceitar o seu próprio corpo. Dessa maneira, tal organização, por meio do uso das tecnologias, promove a cidadania e leva conhecimento às massas.

Entretanto, essa mesma ferramenta pode ampliar o fanatismo político e consequentemente as bolhas ideológicas. Nessa lógica, segundo George Orwell, em seu livro 1984, as tecnologias podem ser usadas para ampliar o poder de uma instituição, uma vez que tais ferramentas facilitam a imposição de ideais político-culturais sobre a população. Nessa ótica, no Brasil, surgiu um grupo anônimo, conhecido como gabinete do ódio, que circula informações falsas e ataques contra grupos e instituições políticas. Essa organização promove a intolerância e impede a promoção do bem-estar comum.

Portanto, o impacto da tecnologia pode ser bom ou ruim para a democracia, já que depende de quem está usando-a. Para reverter esse mal uso, é possível que o Ministério da mulher, da família e dos direitos humanos, em parceria com o da educação, crie uma cartilha de conscientização sobre o mal uso das tecnologias. Para isso, é necessário o incentivo a palestras mensais nas escolas de ensino fundamental e médio sobre as consequências de discursos de ódio na internet e, em seguida, a distribuição de folhetos para que os jovens possam ler em casa. Por meio disso, mais pessoas estariam cientes de sua responsabilidade no manuseio dessa aparelhagem emergente. Somente assim é possível aliar a tecnologia a favor da democracia.