Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 01/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, quando se observa o acesso à democratização digital, no Brasil contemporâneo, percebe-se que o ideal de More é constatado na teoria e não, desejavelmente, na prática. Diante dessa perspectiva, faz-se impiedosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Precipualmente, é fulcral que as questões constitucionais estejam entre as causas do problema. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto, isto está em deficit no país. De maneira análoga, no ano de 2020, o Governo Federal promulgou as leis, 14.108 e 14.109, que tem como objetivo à interconexão digital de objetos cotidianos com a internet e uma maior cobertura de rede, reduzindo as desigualdades regionais. Porém, mesmo com os benefícios de tais leis, uma grande parcela da população não consegue alcança-los, decorrente do analfabetismo digital e a dificuldade para executa-las. Logo, é inaceitável que esse cenário continue a perdurar.
Outrossim, destaca-se a falta de investimento na educação digital como agravante da questão. Assim, um relatório divulgado pela revista The Economist, 2019 avaliou como a internet contribuiu para melhorar os fatores socioeconômicos em nível global, em destaque para a prontidão de acesso, de acessibilidade e de alfabetização digital, aonde o Brasil ficou em 44° posição de 100 países. Sendo assim, é inadmissível que um Estado cobrador das maiores taxas de impostos do mundo não garante, seguramente, um acesso de qualidade para todos.
Dessarte, faz-se necessário que o Governo Federal em conjunto com os municípios e a iniciativa privada, promova medidas viáveis e de qualidade para a democratização da tecnologia, por meio de programas com jovens educadores em escola, praças e ambientes de fácil acesso - como a televisão aberta -, para apresentar, ensinar e compartilhar experiências do uso digital. Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da analfabetização digital e coletividade alcançará a Utopia de More.