Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 05/06/2017

Na Grécia Antiga, berço da democracia ocidental, cidadãos atenienses se reuniam na Ágora, praça pública destinada aos debates, para decidir questões referentes à cidade onde viviam. Na contemporaneidade, por conta dos avanços tecnológicos, milhões de brasileiros debatem o destino do país através de um ativo engajamento nas redes sociais. Embora a tecnologia impacte positivamente, expandindo a cidadania, seu alcance não abrange toda a população, restringindo a participação àqueles que possuem condições de obtê-la, contrariando o que a democracia propõe. Assim, unir a valorização de pontos positivos com a busca de soluções para essa contradição, eis o desafio do Brasil.

Constata-se, em retrospectiva recente das lutas no país, que a internet foi fundamental para mobilizar pessoas. Refletindo seus benefícios, a tecnologia contribuiu na organização de inúmeras manifestações, desde 2013, culminando, inclusive, no impeachment de um presidente em 2016, proporcionando ao povo o pleno exercício dos direitos políticos, garantidos na Constituição cidadã de 1988, através do uso de redes sociais, como Twitter e Facebook, para expor opiniões e contrapontos aos embates gerados pelo delicado momento vivido. Desse modo, nota-se a importância que as inovações tecnológicas ganharam, influindo decisivamente no destino da nação.

Em contrapartida, devido a exclusão digital, um dos pilares básicos da democracia, que consiste na participação da maioria, não é respeitado. Pesquisa realizada pelo CETIC, Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apontou que praticamente 50% dos brasileiros não possuem internet em casa, principalmente na região Norte, onde apenas 38% tem acesso, expondo uma desigualdade que se fortalece cada vez que um grupo toma as decisões de acordo com seus interesses, enquanto outro sofre as consequências sem poder demonstrar o que pensa. Com isso, a mesma tecnologia que impulsiona a participação popular, incoerentemente, também exclui.

Fica claro, portanto, quanto a necessidade de assumir um compromisso visando acabar com esse contrassenso, sem desvalorizar o que a tecnologia trouxe de bom para a democracia brasileira. Para isso, o Governo, em parceria com o setor privado, deve promover a extensão do acesso à internet aos lugares mais afetados pela falta desse recurso, como a região Norte, promovendo a inserção dos moradores na tomada de decisão que a internet proporciona. Aliado a essa medida, o Ministério da Educação deve inserir na grade curricular uma nova matéria voltada para o ensino dos impactos da tecnologia na vida dos cidadãos, visando conscientizar, desde cedo, acerca do poder que a internet oferece na construção de um país melhor. Com isso, o pensamento de Jean-Jacques Rousseau, que disse que a vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos, fará sentido no Brasil.