Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 06/06/2017
Ciberespaço: amplia, mas não forma
No documentário “We are Legion”, apresenta-se a história e os preceitos do grupo de ativistas hackers “Anonymous”. Essa comunidade tecnológica, no Brasil, visa ampliar os paradigmas da democracia, por exemplo, com a divulgação de informações de gastos dos deputados. Tais dados expostos à sociedade repercutem nas mídias sociais e tradicionais, porém devido ao caráter apolítico do brasileiro, não culminam em pressões significativas. A tecnologia, portanto, atua na ampliação do conhecimento público - base da democracia -, mas na ausência de um “ser político” brasileiro, poucas mudanças são efetuadas.
No Brasil, a cultura política de discussão do bem público não existe de forma íntegra. A população, em geral, não se envolve nessa forma de atividade. Com aparatos tecnológicos, como o “Vote na Web”, os cidadãos possuem um espaço de votação nos projetos públicos online. Ao expor sua opinião, o brasileiro apolítico acredita em uma false concepção de dever cumprido e não monitora as ações efetivas dos deputados. Tal comportamento permite a manipulação dos parlamentares em voga de seus interesses pessoais, e não públicos. Essa deturpação é exemplificada na aprovação de novas leis da terceirização e da previdência, ambas fortemente recusadas pela população em votações online do governo, porém aprovadas no Congresso Nacional.
Tal concepção dualístico da democracia brasileira - de um lado a opinião pública fragilizada, do outro, os interesses pessoais dos deputados - promove abusos por parte dos congressistas, como a corrupção. O “Mensalão”, o “Petrolão”, as operações “Lava-Jato” e “Carne Fraca”, todos são exemplos recentes de grandes esquemas de abuso do dinheiro público e da fragilidade da política brasileira. Estes casos, embora divulgados pela mídia, acarretou em eventos de contestação isolados no Brasil. Tal fato demonstra a passividade política, em geral, do cidadão, mesmo com a ampla divulgação e espaço de discussão gerados pelas tecnologias.
O impacto, portanto, da tecnologia na democracia brasileira deve-se à ampliação de maneiras dos cidadãos participarem da política. Esta repercussão, porém, torna-se isolada e frágil em decorrência da passividade do “ser apolítico” no Brasil. No intuito de solucionar esta problemática, deve-se auxiliar na formação política dos brasileiros, através de um “crowdfunding”, com o objetivo de desenvolver uma plataforma da própria população com vídeo-aulas sobre democracia e política, além de fóruns de discussões.