Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 25/06/2017

A democracia, como idealizada pelos gregos, na antiguidade clássica, previa a participação direta nas decisões do Estado, através das discussões na Ágora. Esta ideia, contudo, se tornou utópica, com o extraordinário desenvolvimento urbano, sobretudo, após a Revolução Industrial. No entanto, com a popularização da internet, vislumbra-se a possibilidade da participação direta, manifestação dos cidadãos nas decisões políticas, uma Ágora Virtual como mencionou recentemente a presidente do STF, a ministra Carmen Lúcia. Entretanto, a realidade tornou a questão mais complexa, pois novos problemas surgiram decorrentes deste mesmo desenvolvimento tecnológico, como a manipulação dos dados e a qualidade das informações que chegam às pessoas e a manipulação dos dados.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que um dos maiores problemas desta revolução nos meios de comunicação é a qualidade da informação. Historicamente, a população, recebia as notícias passivamente, sem qualquer possibilidade de se manifestar. Hoje, ao contrário, com as redes sociais e blogs, qualquer pessoa pode gerar conteúdo, algumas vezes incompleto ou distorcido, levando a um desencontro de informação e a uma grande dúvida: afinal como poderemos selecionar corretamente as informações relevantes para formar seu convencimento acerca do futuro do país? A resposta parece apontar para uma formação de mais qualidade das pessoas de modo a filtrar este enorme conteúdo, com que são bombardeadas todos os dias. Além disso, outro problema surge, quando se analisa a recepção destas opiniões, nas formulações das políticas públicas. Comprova-se o problema, com pesquisas de opinião, claramente manipuladas, por candidatos que tentam utilizá-las como forma de influenciar o eleitorado. Mesmo a votação eletrônica, tem recebido críticas pela falta de comprovação dos votos e possibilidade de manipulação dos resultados. Neste sentido, observam-se limites claros de participação popular exclusivamente virtual, como pretendem alguns.

Resta inevitável, deste modo, concluir que medidas são necessárias para resolver o problema. Neste sentido, o Ministério da Educação deve propor o aumento da carga horária de disciplinas de formação humanística como Sociologia e Filosofia, de forma a despertar a consciência críticas, tornando os jovens capazes de discernir quais as informações mais relevantes, para sua tomada de decisão. Ademais, cabe ao TSE fiscalizar campanhas, punindo abusos, como a divulgação de informações incorretas ou distorcidas através de redes sociais, ou de pesquisas sem uma real comprovação da veracidade dos dados, com a impugnação das candidaturas. Somente assim, poder-se-á garantir uma ampliação legítima do espaço democrático e a subsequente construção de um país mais justo.