Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 28/06/2017

A Primavera Árabe, sequência de manifestações motivadas pelas redes sociais que derrubaram diversos governos totalitários, ilustra parte da capacidade virtual de difusão massiva de ideias e opiniões. Analogamente, o incremento da tecnologia no Brasil permitiu uma maior participação democrática, porém há de se atentar também para seus efeitos negativos.     É pertinente considerar, antes de tudo, que a internet possibilitou uma troca de informações jamais vista. O jornalista Aristides Lobo disse, sobre a instauração da República, a seguinte frase “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito”. Tal frase reflete à ausência de participação popular no histórico nacional devido a existência de uma força dominante que comandava as instituições. Hoje, no entanto, por causa da supressão do meio físico para a difusão de informações, o sujeito pode participar participa ativamente na propagação de ideais. O que, de certa forma, combate a unilateralidade manipulativa das elites.

Por outro lado, a quantidade maciça de informações pode ser prejudicial por elas contribuírem, muitas vezes, com a volatilidade das instituições. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, “há uma crise de atenção”, isto é, vivemos uma realidade emburrecedora que liquefaz nosso conhecimento. Assim, a exemplo do Terror Jacobino ocorrido durante a Revolução Francesa, a participação de uma população inconsequente fere a estabilidade do governo.

Fica evidente, portanto, que apesar de possuir impactos positivos a tecnologia pode instabilizar a democracia brasileira. Para reverter tal problemática, uma ação válida do Governo Federal seria a criação de um plano de educação que introduza o uso consciente das novas tecnologias e a seleção de informações relevantes. Deve, inclusive, em conjunto com a mídia, criar campanhas publicitárias sobre o tema. Para que juntos possam criar uma consciência que não os jacobinos, mas sim os árabes tiveram.