Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 03/07/2017
A Primavera Árabe, sequência de manifestações motivadas pelas redes sociais que derrubaram diversos governos totalitários, ilustra parte da capacidade virtual de difusão massiva de ideias e opiniões. Analogamente, o incremento da tecnologia no Brasil permitiu uma maior participação democrática, porém há de se atentar também para seus efeitos negativos. É pertinente considerar, antes de tudo, que a internet possibilitou uma troca de informações jamais vista. O jornalista Aristides Lobo disse, sobre a instauração da República, a seguinte frase “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito”. Tal frase reflete à ausência de participação popular no histórico nacional devido a existência de uma força dominante que comandava as instituições. Hoje, no entanto, por causa da supressão do meio físico para a difusão de informações, o sujeito pode participar ativamente na propagação de ideais. O que, de certa forma, combate a unilateralidade manipulativa das elites.
Por outro lado, a quantidade maciça de informações pode ser prejudicial por elas contribuírem, muitas vezes, com a volatilidade das instituições. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, “há uma crise de atenção”, isto é, vivemos uma realidade que liquefaz nosso conhecimento. Nesse sentido, uma maior participação popular pode ter efeitos como os do Terror Jacobino - na Revolução Francesa - em que a uma população inconsequente e atuante feriu a estabilidade do governo.
Fica evidente, portanto, que apesar de possuir impactos positivos a tecnologia pode instabilizar a democracia brasileira. Para reverter tal problemática, uma ação válida do governo federal seria a criação de um plano de educação que implemente reuniões sobre o uso consciente da internet, discutindo, inclusive, a recente responsabilidade assumida pelo sujeito virtual. Deve, inclusive, em conjunto com a mídia, criar campanhas publicitárias que ratifiquem a importância leitura extensa como fomentadora do conhecimento sólido. Para que juntos possam criar uma consciência nacional que não seja nem totalitária e nem radicalmente participativa.