Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 04/08/2017
Compartilhando o poder
No ano de 2013, o Brasil presenciou os maiores levantes populares de caráter político desde o evento Caras-Pintadas. Parte da responsabilidade do enorme engajamento deu-se através da ampla divulgação por meio da rede, na qual mais de 80% da população aderiram a causa. O ativismo virtual demonstra-se uma realidade, porém trouxe novos dilemas, como uma alienação que agravou-se com o advento de novos modais informacionais e de uso político.
É necessário, primeiro, entender o papel positivo desse novo modo de fazer política e seus efeitos nos dias atuais. Muito próximo das características políticas da Grécia Antiga, pessoas, de maneira não física, reúnem-se em ágoras virtuais, onde discutem seus desejos, opiniões e insatisfações à assuntos públicos. Além disso, reconhecendo essa revolução, o Estado abriu espaços na internet onde o indivíduo pode votar em determinadas pautas, levando-as para uma possível discussão no Senado Federal, dando ainda mais atributos de uma democracia direta e levando à população uma maior sensação de autonomia política.
Ainda neste contexto, as consequências da tecnologia também constituem-se de aspectos negativos. Dentro do princípio da modernidade líquida do sociólogo Zygmunt Bauman, nesta realidade e por intermédio da rede, os indivíduos estão sobrecarregados de fragmentos de informações, em que sabe-se de tudo um pouco, porém muito de nada. Em consequência disso e de ferramentas virtuais que permitem-nos isolar-se de outras visões, bolhas sociais são criadas fazendo a formação de opinião ser sustentada em análises sobre um único eixo, criando-se, por fim, uma alienação por base de pequenas informações e diminuindo a qualidade dos debates.
Fica evidente, portanto, os benefícios do uso dessas novas ferramentas, mas também uma necessidade de maiores critérios para que seu impacto democrático seja máximo. Para isso, o Governo, através de suas mídias sociais, deve, não só levar novas pautas, como inclusive informações sobre os pontos negativos e positivos, além da opinião de profissionais da área que engloba-se o determinado assunto, dando aos participantes da discussão um maior repertório e consciência na tomada de decisões. Ademais, as instituições educacionais através de seu papel socializador, devem estimular em crianças e adolescentes, a busca de informações completas, elaborando debates em sala de aula e trabalhando a relativização de discussões, criando indivíduos mais sensatos frente suas escolhas. Com isso, será possível construir pessoas de opiniões estruturadas e concretas.