Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 08/08/2017
Se antes os gregos punham-se a caminho da ágora, a fim de fazer democracia; atualmente, ser um “animal político” - como propôs Aristóteles – está na palma da mão. Entretanto, deve-se analisar que a democracia corrida nos meios comunicacionais, especialmente a internet, ao passo que soma algumas pessoas, excluem-se outras.
Em primeira análise, visto a grandeza territorial brasileira, promover a “ciberdemocracia” é um viés à garantia do Direito à Participação Pública. Nesse ínterim, facilitar a comunicação da sociedade civil a esferas políticas que fogem às locais, subtrai a burocracia (ou espera-se) e integra a nação. Destarte, tecer novas conexões estreitam os laços governo-sociedade, repagina a forma de exercício da cidadania e democracia. Todavia, números apontam que considerável contingente de brasileiros não tem acesso à internet: um problema pontual.
Segundo a 11ª edição da pesquisa TIC Domicílios, 42% dos brasileiros não possuem acesso à internet, em maior número, as classes sociais D/E. Soma-se a isso aos levantes da Telehelp, pontuando que 34% dos idosos brasileiros não tem ou não utilizam a rede. Se a democracia é “para o povo”, quando “potencializada” pela internet, deixa ímpar quase ½ da população brasileira, quais 1/3 são idosos. Além-mar, a “ciberdemocracia”, que pode abaixar as fronteiras do nosso país, tem o potencial de solapar um abismo entre as zonas rurais e urbanas quanto à participação política. Sabe-se que o desenvolvimento comunicacional no campo foi tardio ao da cidade. Em cidadezinhas interioranas, como Medeiros – MG, oferece-se o serviço de internet monopolizado, de alto custo e qualidade inferior comparado à cidade.
Para bem utilizar essa ferramenta comunicacional – a internet – à democracia, sugere-se que o Ministério das Comunicações, aliado às secretarias de educação, implantem ou reforcem a inclusão digital em escolas públicas e centros de convívio social. Ainda nessa sugestão, contemplar a 3ª idade com atividades relacionadas fazem diminuir os números apontados acima e torna a “ciberdemocracia” um instrumento de estreitamento de laços entre o Poder Público e sociedade. Afinal, mais de vinte séculos não passaram-se para voltarmos a alguma ágora.