Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 03/08/2017

Durante muito tempo a questão política foi vista com certo distanciamento. Era considerado um assunto chato e de difícil compreensão. Algo parecido com os textos parnasianos em que apenas a forma, as rimas e a retórica eram tidos como objetivo final e que quase ninguém os entendia. Entretanto, a massificação das redes sociais mudaram esse discurso e aproximaram essas questões no dia-a-dia das pessoas.Sendo assim, é preciso ampliar seu alcance tanto no meio virtual quanto no real.

Cerca de 100 milhões de pessoas já têm acesso à internet, porém apenas 27 milhões são ativistas digitais. Esse comportamento começa muitas vezes de forma despretensiosa,e faz com que um simples “like” em uma página aproxime pessoas de diferentes lugares e afinidades, para uma finalidade comum. Um exemplo disso foi a manifestação de 2013, sobre os vinte centavos que seriam aumentados na passagem de ônibus, em que um grupo de pessoas resolveram se unir para discutirem abertamente sobre questões sociais que, antes do ciberativismo, eram fragmentadas e tinham pouca visibilidade. Esse movimento foi marcante pois, a partir dele, foi possível uma experiência de vivência política real em que os atores sociais se viram de alguma forma com o “poder” para transformar a realidade.

No mundo “real” a discussão política ainda é um evento elitista. Isso porque, só é possível haver um embate político se houver um conhecimento prévio sobre o assunto. Sendo assim, as reuniões e discussões sobre as futuras manifestações acontecem, na maioria das vezes, em bairros mais favorecidos. Isso ocorre porque a história política e seus desdobramentos não têm o espaço que deveria ter, sobretudo nas escolas públicas. Isso resulta em um desconhecimento arbitrário acerca das questões que direcionam a vida do cidadão e que reflete diretamente na famosa frase que diz que “o brasileiro não sabe votar”. Para George Bekeley, ser é ser percebido. Nesse sentido, desde o movimento dos Caras Pintadas até hoje com o ativismo digital, o brasileiro busca uma sinergia entre ações coletivas que legitime sua visibilidade como cidadão e agente de sua realidade.

Portanto, é importante que haja uma junção entre os meios virtual e real para que todos participem ativamente da vida política nacional. Para isso, o Governo Federal em parceria com o MEC deve inserir na grade curricular obrigatória de todas as escolas públicas do país a disciplina de cidadania para que desde cedo os alunos tenham conhecimento sobre seus direitos e deveres. Esses alunos ao final de cada semestre poderiam, junto com os professores, fazer palestras e convidar os pais e a comunidade para participar. As mídias digitais também podem participar promovendo encontros sobre esclarecimentos políticos nas periferias e divulgando-os nas redes sociais. A transformação balisada no conhecimento promoverá a sinergia que o país precisa para viver a democracia.