Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 07/08/2017

Compartilhando o poder

No ano de 2013, o Brasil presenciou os maiores levantes populares de caráter político desde o evento Caras-Pintadas. Parte da responsabilidade do enorme engajamento deu-se através da ampla divulgação por meio da rede, no qual mais de 80% da população aderiram à causa. O ativismo virtual demonstra-se uma realidade, porém trouxe novos dilemas, que se caracterizam pelo fenômeno trazido por esse modal: o excesso de informações, resultando na dificuldade de sua seleção e aprofundamento durante a formação de opinião.

É necessário, primeiro, entender o papel positivo desse novo modo de fazer política e seus efeitos nos dias atuais. Muito próximo das características políticas da Grécia Antiga, pessoas, de maneira não física, reúnem-se em ágoras virtuais, onde discutem seus desejos, opiniões e insatisfações em relação aos assuntos públicos. Além disso, reconhecendo essa revolução, o Senado abriu em seu site oficial a ferramenta de consulta pública, onde o indivíduo pode votar em pautas que poderão ser discutidas pelos parlamentares, dando ainda mais atributos de uma democracia direta e levando à população uma maior sensação de autonomia política.

Ainda neste contexto, as consequências da tecnologia também constituem-se de aspectos negativos. A partir da teoria da modernidade líquida apontado por Zygmunt Bauman, nesta realidade e por intermédio da rede, os indivíduos estão sobrecarregados de fragmentos de informações, em que se sabe de tudo um pouco, porém muito de nada. Em consequência disso e de ferramentas virtuais que nos permitem isolar-se de outras visões, bolhas sociais são criadas, fazendo a formação de opinião ser sustentada em análises sobre um único eixo, criando-se, por fim, uma alienação por base de pequenas informações e diminuindo a qualidade dos debates.

Fica evidente, portanto, os benefícios do uso dessas novas ferramentas, mas também uma necessidade de maiores critérios para que seu impacto democrático seja máximo. Para isso, o Governo, através de suas mídias sociais, deve, não só levar novas pautas, como inclusive informações sobre o assunto a ser discutido, apontando lados positivos e negativos, além da opinião de profissionais da área abordada, dando aos participantes da discussão um maior repertório e consciência na tomada de decisões. Ademais, as instituições educacionais, através de seu papel socializador, devem estimular em crianças e adolescentes, a busca de informações completas, elaborando debates em sala de aula e trabalhando a relativização de discussões, criando indivíduos mais sensatos frente suas escolhas. Com isso, será possível construir pessoas de opiniões estruturadas e concretas.