Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 11/08/2017
Democracia digital para todos
Quando Montesquieu elaborou a Teoria dos Três Poderes, deixou claro que o poder e as decisões não devem ser pertencentes a uma única pessoa ou organização, para que assim tenham validade. A democracia exercida através dos meios tecnológicos é, por conseguinte, um passo favorável em direção à politização da sociedade, porém a exclusão digital, reflexo da má distribuição de renda, e os chamados “filtro-bolha”, responsáveis pela adicção e alienação às redes sociais, impedem tal democracia de ser plenamente exercida.
Sabe-se que, ao falar de “ciberdemocracia”, as matérias e artigos sobre o assunto geralmente buscam retratar um quadro de equidade na participação política. A realidade, entretanto, mostra que, segundo dados de 2015, menos de 60% dos domicílios brasileiros contam com acesso à Internet, revelando desigualdade na possibilidade de opinar “online”.
Outrossim, boa parte dos sites de redes sociais usam algoritmos que fazem o usuário ler e compartilhar praticamente só aquilo que gosta ou concorda, como aponta a autora Raquel Recuero. Tais métodos são responsáveis pela propagação de radicalismos e discursos de ódio, levando diversos internautas à propagação de princípios antidemocráticos.
Urge, portanto, que sejam elaborados programas eficientes, por parte do Estado, que permitam o acesso à Internet por um maior número de cidadão, como, por exemplo, pontos de acesso público sem fio, alívio de cargas tributárias aos provedores de Internet banda larga e incentivo à melhor qualidade de conexão em escolas e universidades. Da mesma forma, cabe ao indivíduo buscar informações de fontes variadas, checar a veracidade dos fatos lidos e aceitar o direito comum de opinar e exercer cidadania. É de grande valor a frase de Voltaire acerca de tal tópico: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”.