Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 27/08/2017
Ágora
Depois da euforia de desconstrução promovida durante a Semana de Arte Moderna, em 1922, o modernismo pôde consagrar-se como movimento literário. Em sua segunda fase, despontaram autores com notável engajamento político e social, que usavam a literatura para denunciar as mazelas do mundo caótico em que viviam. A pós-modernidade continua ameaçada por problemas das mais diversas ordens, mas o indivíduo encontrou uma nova ferramenta para dar-lhe voz: a internet. Inovadores, os novos meios comunicativos - e todas as contradições que trazem consigo - precisam ser debatidos.
Recentemente, uma onda de protestos populares no Oriente Médio e no norte da África, organizados pela internet, destacaram-se por terem sido capazes de depôr ditadores em efeito dominó. Assim como na Primavera Árabe, no Brasil, os meios virtuais influenciam profundamente a vida social e provocam deslocamentos incessantes de velhos paradigmas, como por exemplo a homofobia. Funcionando como espaço de debates, a internet possibilita o ativismo da comunidade LGBT. É necessário, todavia, destrinchar a dicotomia latente desses ambientes: embora proporcionem o exercício da cidadania e o acesso a informações em moldes nunca experienciados, também acentuam a intolerância.
A ambivalência que envolve a internet parece, ironicamente, anular o engajamento coletivo, função essencial. O advento de novas tecnologias de informação e comunicação transformou a lógica de organização social. Torna-se mais fácil, com elas, encontrar grupos com interesses comuns, quaisquer que estes sejam. Essas pequenas esferas coletivas encerram o indivíduo em noções de um único tipo, privando-o do contato com uma diversidade de reflexões. Dessa forma, nasce a intolerância, um dos entraves mais nocivos à interação social.
Assim sendo, fica evidenciada a complexidade das relações entre sociedade e tecnologia. Nesse sentido, faz-se essencial a aliança entre escola e família em prol do ensino do respeito a todos e da importância da união social, através de pesquisas, jogos, diálogos e debates. O poder público deve agir de forma constante, por meio de fiscalizações contra os crimes de ódio virtual e da aplicação equilibrada das leis a esses ambientes. A internet não pode ser a ágora de nosso tempo, posto que a cidadania grega clássica era excludente. É crucial que as livres manifestações sejam, de fato, a realidade desse meio.