Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 21/10/2017
Ágora Contemporânea
Atenas, pólis da Grécia Antiga, possuía praças em que ocorriam reuniões dos cidadãos para a discussão de temas ligados a justiça, obras pública e leis, configurando uma participação direta. Hodiernamente, não mais espaços públicos são o epicentro das decisões e debates da população, mas sim os meios virtuais, que propiciam a efetiva mobilização dos indivíduos. Contudo, por ser um mecanismo recente, a democracia e os cidadãos necessitam se adaptar a essa nova forma de democracia.
Em primeira instância, é imprescindível ressaltar que as tecnologias implicaram profundas mudanças na democracia e, por isso requer adaptações de todos os envolvidos. Essas transformações foram significativas para a renovação dos movimentos sociais, pois esses passaram a difundir informações de interesse dos segmentos envolvidos por meio de páginas em redes virtuais, além de pleitear pelas causas que são defendidas, chegando a conclamar manifestações, como os protestos que ocorreu no Brasil em 2013 por demandas sociais que atingiu as principais capitais. Embora, aparentemente, essa nova ferramente pareça eficaz, uma parcela dos usuários estão utilizando esses mecanismo somente no meio virtual e restringindo suas contribuições a debates onlines e compartilhamentos, configurando um comodismo e necessitando de ajustes para que esses comportamentos não torne a democracia apenas um espetáculo nas redes e causando uma sensação falsa, como postulou Carlos Drummond de Andrade “Democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder”.
Outro aspecto relevante é que essa nova forma de democracia virtual trouxe um novo papel ao indivíduo, sendo esse responsável por gestos e ações tomadas nas redes. O cidadão se torna ator principal do enredo democrático e, por isso a liberdade aliado a fácil propagação de informações e argumentos não deve ser entendido como um espaço para promover o discurso de ódio e a intolerância política, pois como diz Sartre, filósofo existencialista, em sua máxima, " O homem está condenado a ser livre", demonstra que cada um é sujeito e responsável pelas sua próprias ações.
Nesse ínterim de transformações, portanto, percebe-se que nesse novo contexto urge a necessidade de transformação para a democracia e adaptação dos envolvidos. É dever das principais páginas sociais de mobilização, como a Mídia Ninja e Quebrando o Tabu, publicar alerta para os seus seguidores sobre a importância da participação física nas manifestações e demandas populares, para que essas não se restrinjam somente ao espaço virtual, para que assim se consolide a efetiva participação, tornando, dessa forma, a Ágora contemporânea um espaço válido e essencial.