Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira
Enviada em 26/10/2017
Em um cenário globalizado, as novas tecnologias de informações já se mostraram excelentes meios para o exercício da cidadania, visto que têm o poder de conectar pessoas de lugares distintos em prol de um objetivo comum. O próprio movimento conhecido como Primavera Árabe, responsável por derrubar quatro governantes da região, se propagou através de redes sociais. Contudo, na sociedade brasileira, ainda discute-se a respeito dos benefícios e malefícios do uso desses elementos em uma nação tão jovem democraticamente.
Em primeiro plano, é perceptível a velocidade na transmissão de informação a partir das redes sociais despertou o interesse da população pela política brasileira e a luta pelos seus direitos. Em junho de 2013, uma série de manifestações que foram organizadas ciberneticamente em todo o país para rejeitar o aumento das tarifas de ônibus. Logo, o movimento passou a reivindicar os direitos garantidos pela constituição (educação, saúde e segurança pública) e repercutiu internacionalmente, consagrando-se como a maior mobilização nacional desde o pedido de afastamento do então presidente Fernando Collor de Melo. Também é por meio de sites como o “Queremos Saber?” que as mais variadas classes sociais conseguiram passar a fiscalizar as decisões tomadas pelos governantes eleitos, postura essa que faz parte do exercício pleno da cidadania.
Por outro lado, a praticidade de se posicionar através das novas tecnologias pode causar impactos não muito positivos para o processo democrático brasileiro. O filósofo e sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, afirmou em um entrevista que as redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha. Isso porque, nesse contexto, esses elementos facilitadores podem passar a ideia de que a mobilização virtual, por si só, é o suficiente para se conquistar mudanças políticas importantes, sem que haja a necessidade de um comparecimento às ruas. Foi o aconteceu no ano de 2017 quando organizaram eventos que pretendiam realizar uma Greve Geral no país e o povo foi convocado para ir às ruas, mas que, no entanto, não teve a adesão esperada.
Torna-se perceptível, portanto, a importância desse diálogo na sociedade para que medidas sejam tomadas e as novas tecnologias não sejam inimigas do exercício da cidadania. Sendo assim, os organizadores das passeatas e manifestações devem criar cartilhas, com o intuito de informar os benefícios das redes sociais para o fortalecimento do movimento nas ruas para os cidadãos. Além disso, deve haver palestras e debates nas escolas ministradas por educadores, a fim de formar jovens engajados politicamente e que saibam a importância de levar as insatisfações também para telas dos computadores e telefones.