Tecnologia e seu impacto na democracia brasileira

Enviada em 28/10/2017

Aristóteles defendia que o ser humano é um animal político. Dessa forma, é possível observar o crescente engajamento político dos brasileiros, principalmente, através da internet. O intenso fluxo de informações, permite a discussão sobre mais temas de forma mais ampla, dando mais voz ao povo. Entretanto, a veiculação de falsas notícias, aliada, ao distanciamento dos grupos de pensamentos diferentes, pode acarreta em indivíduos fechados em suas próprias ideologias.

Primeiramente, é importante destacar que, segundo o jornal Estadão, 80% dos ativistas digitais no país, se envolveram com causas pelas redes sociais, e que metade dos que participaram online também o fizeram indo para as ruas. Um grande exemplo, são as manifestações ocorridas em 2013, que se iniciaram pelo aumento da passagem, mas foram muito além, reivindicando o direito à saúde pública de qualidade, além dos gastos exacerbados dos governantes; essa situação ganhou uma maior dimensão através das redes sociais, principalmente, com a “#vemprarua”. A facilidade com que se acessa uma notícia ou se pesquisa sobre uma linha de pensamento, nunca foi tanta. Essa condição, confere aos jovens, uma maior noção dos acontecimentos a sua volta, gerando maiores discussões acerca dos acontecimentos.

Todavia, muitos se deixam levar por falácias, ajudando na propagação de “frases prontas” e, não, se abrindo a discussões saudáveis. A presença de um algoritmo nas redes socais ajuda muito nesse processo, ao analisar o histórico de likes, a “timeline” do indivíduo se enche apenas de coisas que o interessa. Como afirmava, o sociólogo Zygmunt Batman, as redes sociais são uma tecnologia de eco, onde é muito fácil evitar o pensamento contrário, onde pessoas só escutam o eco de suas próprias vozes. Essa situação colabora para que as pessoas acreditem que seu pensamento é o correto, criando grupos políticos, extremamente, polarizados.

Diante dos fatos expostos, fica claro, a necessidade de medidas que ajudem os jovens a serem mais engajados e dispostos à discussões. Para que isso ocorra é preciso que as escolas estimulem o debate, através de aulas temáticas; que preparem aulas específicas sobre política, nas disciplinas de humanas, mostrando a aplicação da mesma na vida dos alunos.  E por fim, que a mídia, com seu poder persuasivo, ofereça programas - apresentados por profissionais da área de direito ou professores - voltados para a explicação do papel do cidadão na política, da importância dela, juntamente a dos movimentos sociais. Dessa forma, teremos cidadãos unidos e engajados, tendo noção de seu poder na democracia.