Terceirização do trabalho no Brasil
Enviada em 17/10/2019
A terceirização e flexibilização do trabalho é consequência direta do capitalismo financeiro globalizado. Sendo assim, é inegável que esse modelo de contratação não somente trouxe mais riquezas aos países que o adotaram, mas também aumentou a competitividade entre as empresas. No entanto, será que essa riqueza adquirida está sendo bem distribuída?Será que maior concorrência aumentou a felicidade do indivíduo? Questões como essa necessitam ser esclarecidas, pois proporcionam uma reflexão crítica sobre o que denominou Karl Marx de ‘‘fetichismo social’’.
A princípio, consoante ao DIEESE(Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), trabalhadores terceirizados ganham menos e trabalham mais em relação aos definitivos. Sendo assim, a consequência lógica disso é o aumento dos lucros do empregador em detrimento do salário do empregado, fato que é corroborado pela pesquisa de Setembro de 2019 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a qual confirma o aumento da desigualdade no Brasil.
Além disso, o trabalho terceirizado ou temporário, característica essencial da modernidade líquida, de fato, incrementou a concorrência e liberdade do operário, porém aumentou também as incertezas e riscos em sociedade. Nesse sentido, em meio a imprevisibilidade do futuro e no que o sociólogo Pierre Bourdieu denominou ‘‘sociedade de risco’’, amplia-se a possibilidade do surgimento de anomias sociais como o suicídio e o crime.
Em suma, percebe-se que,portanto, o operário é imensamente prejudicado com a adoção do trabalho intermitente, apesar de haver alguns poucos benefícios. Logo, o Estado, com o objetivo de garantir a coesão social e impedir retrocessos nos direitos trabalhistas, tem o dever diminuir gradualmente essa nova forma de trabalho e, de maneira conjunta, através da implantação de uma legislação justa e clara para ambos empresários e trabalhadores, atrair investidores sérios que não busquem mão de obra análogo à escravidão. Além disso, a fim de proteger os que estão sob o trabalho temporário, esse mesmo agente, através do Ministério do Trabalho, é responsável por fiscalizar e punir legalmente aqueles que não respeitem os direitos do operário. Com a promoção dessas ações, talvez a mercadoria deixe de valer mais que a vida humana.