Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 21/11/2019

Todos os dias se vê  nos noticiários casos ultrajantes de violência ligada ao tráfico de drogas e as pessoas se sentem inclinadas a apontar culpados. Pela lei da oferta e demanda, a resposta é óbvia: a culpa é dos usuários! Embora essa afirmação faça sentido, ela não explica todo o contexto do tráfico e de sua proibição, como também quem realmente lucra com a ilegalidade desse comércio e como a desigualdade influencia para que este esse fenômeno tome proporções tão grandes como tomou no Brasil.

Com certeza, o usuário tem sua parcela de culpa pela violência. Afinal, é ele quem a financia. Mas não se deve devem ignorar os principais culpados: a proibição, a desigualdade, a falta de oportunidades, os governantes incompetentes e quem acha que o problema está só na favela e fecha os olhos para helicópteros cheios de cocaína.

Dito isso, a proibição das drogas não beneficia ninguém além de quem lucra com isso. Em 1920, foi aprovado o Ato a Lei Volstead nos EUA, que proibia o consumo e comércio de bebidas alcoólicas. O resultado foi um grande aumento do contrabando e de violência por parte de gângsteres. Então, em 1933, a lei se tornou a única a ser revogada da Constituição americana. A regulamentação da maconha e de outras substâncias ilícitas evitaria mais cenários como esse, como ocorreu no Uruguai, em que as mortes decorrentes do tráfico foram reduzidas a zero. Além disso, a legalização da cannabis traria consequências positivas à economia brasileira. Segundo profissionais da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, o Brasil teria mais 5,7 bilhões de reais em circulação e mais 5 bilhões em impostos, além de menos 997,3 bilhões gastos no sistema prisional.

Dessarte Assim, o Estado não pode impor restrições à liberdade individual de sua população com a desculpa de estar prezando pela saúde dos cidadãos, pois as consequências são muito piores. O consumo e comércio de drogas deve ser regulamentado e junto a isso deve haver uma forte campanha alertando sobre os riscos do consumo dessas substâncias, como vem ocorrendo com o tabaco a há muitos anos e mostrando resultados.