Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 11/02/2020

Al Capone, o maior mafioso da história dos EUA, durante a década de 1920, tornou-se muito influente em razão do poder adquirido com a venda ilegal de bebidas alcoólicas após a promulgação da Lei Seca. Além disso, ele ficou conhecido, especialmente, pela brutalidade e pelas disputas agressivas em prol do controle do contrabando no país. Ainda que seja um fato antigo, o problema do tráfico de drogas e a violência urbana permanece um problema no Brasil, devido, em especial, ao tabu sobre tema e a desigualdade social. Em primeira instância, o historiador Tucídides, durante a Grécia Antiga, defendeu a importância de resgatar o passado para aprender com os erros cometidos. Essa ideia pode ser aplicada no desafio de combater o comércio ilícito de entorpecentes, uma vez que há a continuidade de medidas historicamente ineficazes, como a criminalização do uso - assim como no fato supracitado - e a guerra às drogas, que, respectivamente, aumentam a população carcerária e a violência nas cidades, por causa da repressão e dos conflitos entre traficantes e policiais. Outrossim, a perenidade da marginalização de pessoas em condições de vulnerabilidade social contribui para o poder do contrabando no país. Isso acontece porquanto grupos narcotraficantes, como o PCC, recrutam pessoas dentro das prisões com a promessa de proteção e assistência tanto para o indivíduo como para sua família. Essa atratividade contrasta com falta de acesso a direitos sociais básicos de qualidade e torna-se, inicialmente, uma alternativa de melhor qualidade de vida. Portanto, o Poder Legislativo deve criar um projeto de lei que aborde as drogas como problema social de saúde e educação. Para isso, especialistas, como o médico Drauzio Varella, devem ser chamados para desenvolver medidas que visem a informação da sociedade sobre as drogas, assim como o tratamento humanizado dos dependentes e a possível descriminalização - ou seja, não tratar os usuários como criminosos. Ademais, esse projeto precisa garantir atenção especial às pessoas marginalizadas, posto que são as mais expostas às ações de narcotraficantes. Assim, a violência urbana e o tráfico de drogas poderão se tornar, apenas fatos históricos superados.