Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 05/05/2020

O período colonial brasileiro foi marcado por sucessivas formas de violência, tendo como destaque  a brutalidade em que os colonos tratavam os escravos, com a privação de uma vida digna de ser humano. De modo análogo, na contemporaneidade, a questão da violência urbana é uma realidade presente no país e afeta a qualidade de vida da sociedade, este quadro de hostilidades estão diretamente ligados ao tráfico de drogas. Nesse contexto, fatores não podem ser negligenciados, como a desigualdade social da população e a ineficiência de políticas públicas voltadas ao tráfico.

Em primeiro plano, vale mencionar que a urbanização acelerada dos centros causou o inchaço urbano, provocando desigualdades no âmbito social. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar a ideia do antropólogo Darcy Ribeiro, o qual assevera que “O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso”. Com base nisso, a população que mora nas periferias presencia a escassez dos serviços básicos de saúde, segurança e o sistema educacional de difícil acesso. Dessa forma, o mercado de trabalho para essas pessoas se torna uma utopia o que dá espaço as drogas atuarem como um símbolo de refúgio dos problemas, forma de trabalho e meio de ascensão social.

Outrossim, é válido evidenciar a ineficiência de políticas como fator que agrava a violência urbana no país. Para compreender melhor essa ideia, é oportuno expor o que defende o Papa João Paulo II, o qual afirma " A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano". Infere-se, assim, que as políticas contra o tráfico de drogas no país ocasiona um grande número de mortes e um índice elevado de presos. Sob essa ótica, o que seria para ter a finalidade de minimizar os problemas sociais, acaba a intensificar o problema, visto que, uma sociedade que tem  a morte de várias pessoas como combate de problemas está contrária ao objetivo de liberdade do ser humano, o direito à vida e a dignidade.

Diante o exposto, é notório a necessidade de políticas eficazes na resolução desse problema social. A priori, é necessário entender o tráfico de drogas como uma questão de desigualdade social. Para isso, o Estado deve ampliar os benefícios básicos para as populações em situação de descaso público, pois com o acesso a escola e a saúde, as pessoas poderão se encaixar no mercado de trabalho formal, sem precisar se envolver com drogas. Ademais, é válido que o Ministério da Saúde trate os indivíduos  usuários com especificidade, pois cada pessoa possui uma necessidade diferente de tratamento, com isso, toda a população é beneficiada. Só assim será extinguido as medidas brutais que levam a morte de pessoas. Sendo assim, pode-se-á resolver a questão relacionada ao tráfico de drogas e violência.