Tráfico de drogas e violência urbana
Enviada em 13/05/2020
Segundo o sociólogo Durkheim, “o homem mais do que formador da sociedade, é um produto dela”. Nesse sentido, ao observar a problemática que envolve o tráfico de drogas e a violência urbana no Brasil, verifica-se a necessidade de adotar medidas interventivas capazes de reverter números como o aumento da criminalidade em subúrbios. Tal fato permite afirmar que a resolução dos entraves referentes à falha na educação nas periferias e o tráfico de drogas como recurso de sobrevivência possibilitará a formação de uma sociedade mais democrática.
Apesar de o filósofo Locke defender que “onde não há lei, não há liberdade”, a sociedade brasileira, somente por meio de sua Constituição Federal, não garante de fato a cidadania. A razão para os entraves que permeiam a problemática em questão está no difícil acesso a educação nas áreas periféricas das cidades brasileiras, isso faz com que moradores não frequentem um local educativo que promova a integração e qualificação para um futuro mercado de trabalho. De acordo com o PISA, o Brasil não oferece aos discentes da rede pública uma equipe e infraestrutura aptos para o aprendizado dos mesmos, o que impossibilita os jovens a concluir com exito o ensino básico nas escolas próximas e agrava a segregação socioespacial dessas comunidades.
Consequentemente, os resultados disso são o tráfico de drogas e a violência. Isso se explica no fato de muitos indivíduos não terem a oportunidade de conseguir um emprego, visto que, segundo o IBGE, mais de 40% da população não finalizou o ensino médio. Vale ressaltar que o tráfico se torna uma das poucas saídas para aqueles que precisam ajudar financeiramente a família, uma vez que não é necessário um diploma para entrar nesse meio. Dessa maneira, a violência urbana aumenta gradativamente com o apoio dos traficantes e usuários de drogas que, muitas vezes, roubam e furtam para o sustento do seus próprios vícios.
Portanto, é essencial buscar soluções para combater a ausência de uma educação qualificada gratuita e o tráfico de drogas, já que como diria Sartre: “o homem tem de se inventar todos os dias”. Inicialmente, cabe ao Ministério da Educação investir nas escolas periféricas brasileiras, por meio de uma maior disponibilidade de verba para a PDDE - Programa Dinheiro Direto na Escola -, para que o ensino público se torne mais competente e alcance todas as áreas e pessoas. De modo complementar, às prefeituras, com apoio da mídia, deve promover campanhas conscientizadoras, nas escolas e em “outdoors”, a fim de amenizar a incidência da violência e do tráfico nas comunidades. Espera-se que, com ações desse tipo, esse entrave seja atenuado.