Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 10/08/2020

A Constituição federal de 1988, garante aos cidadãos brasileiros a vida e a dignidade da pessoa humana. Nessa perspectiva, a violência urbana infringe diretamente o documento constitucional, ao gerar coercitividade e violação de direitos essenciais. Assim, como parte quase que inerente dos índices de violência nos grandes centros do país, o tráfico de drogas se apresenta como um problema de ordem social, o qual demanda ações efetivas.

Em primeiro lugar, compreender os casos crescentes de violência nos centros urbanos é fundamental para o enfrentamento dessa problemática. Além disso, associar o tráfico de drogas a essa mesma questão, é medida prudente ao passo que, quando se tem um produto que levanta altas quantias de dinheiro a nível internacional e ainda por cima é ilícito, o resultado para tal só poderia ser medidas drásticas que usa da coercitividade para manter o controle desse mercado proibido. Ademais, numa tentativa de garantir esse mesmo domínio, o tráfico de drogas é, facilmente associado a outros tipos de crimes a exemplo de assaltos, sequestros e até mesmo o comércio ilegal de armas. Prova disso são os grandes esquemas de corrupção envolvendo máfias internacionais com nomes conhecidos a exemplo de um dos maiores traficantes - Fernandinho-Beiramar.

Não obstante, a realidade brasileira cercada de exclusão social, bem como carente de políticas públicas educacionais, contribui para o envolvimento, sobretudo, dos jovens no mundo das drogas assim como o do crime. Ainda sob essa mesma análise, a obra “Estação Carandiru”, de autoria do médico Dráuzio Varella, vem confirmar, que para muitos detentos por tráfico de drogas, o que acontece, é um grande embate. Com isso, de um lado tem-se o cenário da realidade cruel permeada por pobreza e falta de acessibilidade, enquanto que do outro, há uma falsa ilusão de que por meio do crime, pode-se ter os benefícios e regalias que somente o dinheiro pode comprar.

Sendo assim, a questão das drogas junto à violência urbana no Brasil, precisam, portanto, da intervenção firme do estado por meio de dois setores essenciais: justiça e educação. Assim, o judiciário deve melhorar a efetividade do rastreio das pessoas envolvidas com o tráfico de drogas e consequentemente a violência. Isso pode ser feito com o apoio do Ministério da Justiça, por meio da criação de uma central de denúncias, a qual mantenha integridade e anonimato daqueles que denunciarem. Já no setor educacional, devem apostar em centros de reinserção social com viés educativo junto à profissionais professores, vestibulares especiais e também apoio psicológico possibilitando mais oportunidades aos jovens no mercado de trabalho e estudos, em detrimento do mundo do crime. Dessa forma, terá-se uma sociedade que de fato garante a vida e dignifica o homem.