Tráfico de drogas e violência urbana
Enviada em 14/08/2020
Na obra “Estação Carandiru”, o médico Dráuzio Varella, traz por meio dos livros, relatos do cotidiano de detentos em um dos maiores presídios da América Latina, o Carandiru. Fica claro ainda, que uma das principais causas para a grande quantidade de pessoas privadas de liberdade é o tráfico de drogas e sua consequente relação com a violência urbana. Isso porque, a carência de políticas educacionais fazem da criminalidade um caminho mais atrativo para jovens no geral e a população mais vulnerável socialmente. Assim, torna-se necessário o debate e a implementação de políticas que tragam essa população para o contexto da integridade de conduta em detrimento do crime.
Em primeiro lugar, entender o direito à vida e à dignidade da pessoa humana como garantia já prevista em constituição desde 1988, é fundamental para o debate acerca dos índices de violência urbana e o tráfico de drogas no Brasil. A realidade nacional, no entanto, mostra a sociedade, uma situação contraditória quanto a esse direito constitucional. Prova disso, são os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de que quase um quarto da população do país vive abaixo da linha da pobreza. Essa correlação é fundamental, pois as diferenças sociais e a influência do meio sobre o indivíduo são, muitas vezes, moduladoras de suas ações, como já discorreu o filósofo iluminista Jean Jacques Rousseau.
Sob mesma análise, aliado às condições vulneráveis do ponto vista financeiro, tem-se a carência de políticas públicas educacionais, a qual poderia ser instrumento de incentivo à população envolvida pela dinâmica do tráfico e violência urbana. Esse aspecto concorda com as ideias do educador Paulo Freire, o qual afirma que a educação transforma as pessoas e assim, as pessoas são movidas a mudar o mundo de forma positiva. Sendo assim, repensar a estratégia de ação de forma a não focar somente na punição dos infratores é fundamental para estabelecer a integridade e harmonia social.
Diante disso, a ação de setores do estado são essenciais para iniciar a resolutividade da situação. Além do Ministério da Justiça por meio dos presídios com a privação de liberdade daqueles que geram o caos social, é necessário, a ação do viés educacional. Assim, o Ministério da educação, deve desenvolver projetos inclusivos, por meio das escolas, institutos esportivos e artísticos, atuando, dentro das detenções de forma a incentivar os já presos, bem como, nas comunidades, principalmente, carentes. Isso, para diminuir o atrativo do crime sobre os moradores de tal localidade. É importante ressaltar ainda, que os programas devem contar com profissionais professores, psicólogos e assistentes sociais. Somente assim, terá-se uma sociedade que, de fato, garante a vida e a dignidade da pessoa humana.