Tráfico de drogas e violência urbana
Enviada em 03/11/2020
A sociedade brasileira foi formada por um modelo escravista e autoritário, no qual deixou profundas marcas de desigualdade econômica e racial, que mesmo com a abolição da escravatura, não houve medidas de inclusão social. Assim, a segregação de raça e classe, por meio do racismo e falta de investimento urbano, como infraestrutura e segurança, são fatores de persistência para os elevados índices de violência, que resultam no crime organizado, e tráfico de drogas.
Nesse contexto, é importante salientar que, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no Brasil, a maioria das vítimas de assassinatos são pessoas afrodescendentes. Ou seja, esses indivíduos marginalizados, que foram negligenciados de seus direitos à saúde, educação, alimentação, devido ao racismo histórico, são obrigados a viver em condições de grande pobreza devido a falta de assistência pública, consequentemente, muitos encontram o crime como uma oportunidade de poder por meio da violência urbana, por exemplo, roubos e homicídios.
Outrossim, o tratamento de invisibilidade social do Estado para com esses indivíduos, advindo da precariedade do sistema, como desemprego e falta de educação, perpetua a disparidade social, e assim, suportado pela criminalidade, ocorre o tráfico, principalmente de drogas. Além disso, por ser um negócio altamente rentável, esses grupos vulneráveis juntam-se em facções que lutam por poder entre si e contra a polícia nas comunidades periféricas, o que leva a mortes e mutilações desnecessárias.
Depreende-se, portanto, que é necessário medidas de ação para combater essas questões sociais. Sob esse âmbito, cabe ao Estado, por meio de investimento em verbas, criar medidas de suporte ao desemprego e a educação, como o aprimoramento da infraestrutura das escolas e exigência de inclusão de jovens negros em vagas públicas. Também, em parceria com o Ministério da Segurança Pública, poderia haver investimento no treinamento da polícia civil para lidar com o crime organizado, tudo isso a fim de ter-se uma população mais justa e igual.