Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 05/02/2021

Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), 1/3 dos presos no Brasil são acusados de tráfico de drogas. Assim, nota-se como a comercialização de entorpecentes é um dos principais crimes cometidos nos país, o que deságua em um ambiente violento e inseguro. Dessa forma, os narcóticos representam a principal fonte de financiamento das facções criminosas, além de tornar os seus usuários mais propensos a sucumber ao animo delitivo.

Inicialmente, cabe ressaltar a relação entre o crime organizado e o narcotráfico. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), esse mercado movimenta 400 bilhões de dólares anualmente, lucratividade que faz com que a estrutura criminosa se organize em torno de tal negócio. Assim, impulsionados pelo poder bélico possibilitado pelo alto rendimento das atividades de venda de drogas, as facções utilizam da violência para conquistar territórios, resolver disputas, eliminar concorrentes e executar usuários inadimplentes e autoridades que não se corrompem. Dessa maneira, percebe-se como os entorpecentes são a fonte da influência das organizações criminosas e origem de parte da violência urbana.

Adicionalmente, destaca-se que os narcóticos aumentam a vulnerabilidade de seus consumidores e os tornam mais propensos a cometer crimes. Sob esse prisma, levantamento do Conselho Nacional de Justiça apontou que 3 em cada 4 jovens infratores são usuários de drogas. Portanto, para sustentar o vício e para sanar os débitos com traficantes, muitos dependentes praticam delitos patrimoniais, além de diversos crimes fúteis sob o efeito das substâncias ilícitas, as quais reduzem a capacidade de julgamento.

Diante do exposto, salienta-se a forte correlação entre o tráfico de drogas e a violência nas cidades. Por conseguinte, é imperativo que os órgãos de segurança — polícias e Ministério Público —, com o objetivo de desmantelar as facções criminosas, atuem por meio de operações estratégicas de inteligência com foco nos líderes do tráfico. Adicionalmente, também é necessário que o Estado priorize uma política humanitária de tratamento dos dependentes, por exemplo, ao transferir a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (atualmente sob comando do Ministério da Justiça e da Segurança Pública) para a abrangência do Ministério da Saúde, uma vez que esse é um assunto de saúde pública. Destarte, o combate eficaz à epidemia de drogas no Brasil contribuirá para a consolidação de uma nação mais segura e menos violenta.