Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 28/04/2021

Na série “Narcos”, disponibilizada na plataforma de streaming Netflix, é retratada a vida do narcotraficante Pablo Escobar, sobretudo as exaustivas operações policiais para conter o processo do tráfico internacional de drogas. Analogamente, a realidade brasileira apresenta semelhanças com a obra, visto que enfrenta problemas na comercialização e uso ilegal de drogas, seja pela pouca atuação governamental, seja pela negligência de uma parcela considerável do corpo social no setor da educação. Assim, é lícito afirmar que o Estado e a sociedade civil contribuem para a perpetuação do cenário negativo e, consequentemente, o aumento da violência urbana.

Convém ressaltar, a princípio, que a ineficiência estatal contribui para esse cenário. Sob esse viés, a Constituição Federal de 88 prevê em seu Art. 5 que o Estado considerará crime insuscetível o tráfico ilícito de entorpecentes ao eixo social perante a lei. Entretanto, isso não ocorre de forma adequada no Brasil. Esse panorama pode ser comprovado a partir dos dados disponibilizados pelo Ministério Público de São Paulo, os quais afirmam que entre 2004 a 2009, no Brasil, o crime de tráfico de drogas foi o que apresentou o maior crescimento. Por conseguinte, essas informações expõe uma má administração das operações policiais em coibir as ações criminosas, o que gera uma ameaça à segurança da população, uma vez que o tráfico está associado à violência como um meio facilitador do comércio.

Ademais, cabe analisar o papel da educação como uma ferramenta para melhor desempenho das pessoas, nos mais diversos ambientes onde estão inseridas, evitando assim a entrada dos jovens na criminalidade. Diante desse contexto, segundo Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Essa visão filósofica apresenta a importância da educação aos jovens, que é uma forma eficaz de combater a incidência no crime. Corroborando com essa visão, estudos elaborados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS) apontam que quanto maiores as taxas de escolarização, menores são os registros de violência. Todavia, parte da população brasileira, devido às desigualdades socioeconômicas, não possuem acesso a um sistema educacional adequado, e encontram no tráfico uma alternativa de ganhar uma renda.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas, com a finalidade de mitigar essa problemática. Posto isso, o Estado deve, por meio de um amplo debate com a sociedade civil, lançar um Plano Nacional de Combate ao Tráfico de drogas, a fim de causar uma mudança na mentalidade da nação a respeito dessa adversidade, e aperfeiçoar as políticas públicas. Desse modo, as modificações aprimorarão as relações sociais do século XXI e a série “Narcos” será meramente fictícia.