Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 08/08/2021

Inicialmente, ao se analisar a questão da violência urbana e do narcotráfico, deve-se, sumariamente, citar que um dos elementos que é base para o crescimento da criminalidade é a cultura do medo. Sendo assim, em face de um cenário propício à disseminação midiática da referida tradição, tem-se que, atualmente, o aumento de casos de crimes é expressão de instabilidade nas normas legais e sociais. Portanto, esse problema deve ser solucionado com correções nos pilares normativos (legais, sociais e morais) da sociedade brasileira.

Em primeiro plano, por caráter propedêutico, é necessário ressalvar o conceito supra aludido, para que seja possível compreender seu papel no tema em questão. Assim sendo, é viável explicitar que a cultura do medo é entendida como uma propagação da perspectiva de que uma sociedade é mais propícia à violência do que se apresenta, de fato. Com base nisso, infere-se que - devido ao atual contexto sócio-histórico de dinamismo vertiginoso na divulgação de informações, que o filósofo Zygmunt Bauman percebeu - a cultura do medo fomenta o sentimento de insegurança na sociedade que, por sua vez, reage com restrições normativas e exclusão social - que fomenta a violência urbana.

Em segundo plano, tendo em vista o supramencionado, é preciso citar a teoria firmada na Indústria Cultural - Escola de Frankfurt - que reconhece que os sistemas midiáticos influenciam o desenvolvimento sociocognitivo e comportamental da população (o que fortalece a tese de que a mídia auxilia o crescimento da cultura do medo). Tendo por base o apresentado, vislumbra-se na sociedade uma reação a isso expressa pela representatividade política desse medo; isto é, devido ao pavor cultivado, o povo percebe - em legisladores - a solução da criminalidade, por meio do enrijecimento das normas penais (entendidas, desde o Código de Hamurabi, como normas essencialmente punitivas).

Por conseguinte, como é possível perceber pelo supracitado, há um fortalecimento da exclusão social; da intolerância e da desigualdade, o que auxilia as bases justificadoras do aumento da violência urbana e do tráfico de drogas. Sendo assim o Estado deve conscientizar a população acerca da origem do crime no cotidiano, a fim de atenuar os efeitos morais; legislativos e sociais da cultura do medo - diminuindo a intolerância. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover palestras em universidades públicas com antropólogos, pois reduzirá a percepção dos excluídos de que há a necessidade de violência para a aceitação e inclusão na coletividade.