Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 14/09/2021

Há vinte anos, o Brasil presenciou o sequestro de dez pessoas em um ônibus da cidade do rio de janeiro, Sandro Barbosa do Nascimento, autor do sequestro, desde sua infância viveu em um cenário de pobreza e desigualdade na periferia, o que culminou em sua ida para o mudo das drogas, levando a sua morte. Diante do supracitado, é válido discutir sobre a relação do tráfico de drogas e violência urbana, com a desigualdade social e a falta de investimento estatal na sociedade brasileira.

Em primeiro plano, se faz necessário pontuar que a desigualdade nas favelas e periferias contribui significativamente nas atividades do narcotráfico, posto que as precárias condições de vida oferecidas nesses locais, propiciam para que essa população, na sua maioria jovem, encontrem, no comércio de drogas, sua fonte de sobrevivência e de inserção social, ainda que na ilegalidade. Conforme pesquisas realizadas pela ONG Observatório de Favelas, sediada no Complexo da Maré, 62,1% dos jovens dizem que entram para o tráfico de drogas para ajudar a família, e 47,5%, “para ganhar muito dinheiro”. Essa realidade se aplica de forma clara na teoria do filósofo Rousseau, em que dizia “ninguém nasce mau, a sociedade o corrompe”, visto que essas minorias são deixadas de lado tanto pela sociedade quanto pelo estado.

Ademais, a ineficiência do estado no combate ao narcotráfico se dá por uma política de drogas caracterizada pela punição e repressão social em detrimento de fatores como investimentos em educação e saúde pública. Nesse sentido, os grupos com maior vulnerabilidade se encontram desprovidos de recursos que os proporcionem uma qualidade de vida e oportunidade de inserção social. De acordo com pesquisas feitas pelo Instituto de Física (IF) da USP, há um baixo investimento governamental em educação, atualmente em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), levando a condições inadequadas no ensino público, comprometendo os padrões educacionais e agravando a evasão escolar causada por problemas econômicos. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, o que infelizmente é evidente no país.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo federal, por intermédio do Ministério Público, faça investimentos e melhorias em construções de escolas públicas, nas regiões com alto índice de criminalidade e narcotráfico, além da criação de oficinas de arte e esporte por parte de ONGs, para a inserção dos jovens de comunidades carentes, a fim de garantir que essa população não tenha o mesmo destino do Sandro Barbosa.