Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 19/07/2022

Gil Vicente teve uma feroz crítica ao comportamento problemático da humanidade em “O Auto da Barca do Inferno”. É possível visualizar a perspectiva vicentina no tráfico de drogas e na violência urbana, que se mostram presentes no Brasil. Desse modo, cabe destacar as principais causas desse empecilho: a desigualdade social e a omissão governamental.

Diante desse cenário, é de alta relevância pontuar que a desigualdade influencia fortemente a questão. A esse respeito, o Escritor ariano Sussana afirma que existe uma injustiça secular capaz de dividir o Brasil em duas vertentes: a dos privilegiados e dos despossídos. Sob essa óptica, é possível verificar que o pensamento do estudioso é verídico, visto que a falta de recursos e a carência extrema pelas quais passam as pessoas com dificuldades financeiras pode motivá-las a defender as próprias vidas e os próprios interesses- muitas das vezes a maioria caba vivendo no mundo do tráfico- por meio da violência. Dessa forma, sem as medidas certas para combater as diferenças, ainda haverá o grupo dos despossídos.

Ademais, a omissão governamental atua como elemento catalisador. Acerca disso, Thomas hobbes- filosófo inglês- defendia ser dever do Estado proporcionar meios que auxiliem no progresso de toda a coletividade. Em contrassenso ao pensamento de Hobbes, ocorre, no país, ausência de medidas governamentais no controle do tráfico e da violência, uma vez que não há investimentos de políticas públicas. Acerca disso, o problema se perpetua, ficando cada vez mais rigoroso. Assim, não é razoável que a omissão do Estado permaneça em um país que almeja torna-se nação desenvolvida.

É preciso, portanto, superar a gênese do tráfico e da violência. Para tanto, cabe ao Governo federal- responsável pela defesa nacional- deve criar políticas públicas por meio de investimentos em polícias civis e militares, a fim de reverter o tráfico de drogas e a violência urbana. Tal ação pode, ainda, contar com pesquisas públicas para compreender e priorizar as reais necessidades da população, para que assim, acabe com a desigualdade social que impera. Com isso, é possível construir um país no qual Gil Vivente pudesse se orgulhar.