Tráfico de drogas e violência urbana

Enviada em 29/08/2023

É em Los Angeles, a principal cidade da Califórnia - o estado mais rico dos EUA - que encontramos a “Skid Row”, uma das maiores “cracolândias” do mundo. Em São Paulo, a maior e mais importante cidade brasileira, encontramos uma versão itinerante desta zona de uso indiscriminado de drogas. A existência destes lugares em regiões tão prósperas se dá, principalmente, por dois motivos: o tratamento do vício como problema de segurança pública, e não de saúde, e a marginalização do usuário, que o leva às ruas, e não a um local de tratamento.

A política de combate às drogas, por uso de opressão policial, vem sendo praticada no Brasil desde o início dos anos 80. Com seus embates concentrados apenas nas favelas - locais onde imperam a ausência do estado e a falta de oportunidades -, a guerra às facções criminosas produz pouquíssimos resultados, que se traduzem no crescimento do consumo, acompanhado também pelo aumento de mortes e diversos outros indicadores criminais. Além disso, as batalhas armadas incentivam a demanda bélica, em ambos os lados, propiciando o surgimento de um lucrativo tráfico de armas, que apenas piora a situação social.

Não bastando isso, a visão preconceituosa que a sociedade mantém acerca dos usuários, faz com que os mesmos encontrem-se marginalizados, tornando a discussão do problema um assunto difícil de ser debatido. O não tratamento da dependência química como doença, conforme a OMS orienta, faz com que os usuários sejam vistos como também criminosos. A não descriminalização pode, inclusive, obrigar profissionais de saúde a alertarem autoridades policiais em determinados casos de pessoas que buscam auxílio em hospitais e locais de tratamento, contribuindo para uma completa marginalização do indivíduo.

Desta forma, o primeiro passo para solucionar o problema é enxergá-lo como uma questão de saúde pública. Através de um convênio com o SUS, as prefeituras poderiam formar equipes multidisciplinares, auxiliando na identificação de cada caso, oferecendo o tratamento médico, psicológico e de reintegração à sociedade. Paralelo a isso, uma atuação policial preventiva, buscando impedir, já nas fronteiras, que as drogas e armas cheguem no ambiente urbano certamente diminuiria a letalidade das operações, um dos reflexos mais cruéis desta guerra.