Tráfico de pessoas: os desafios do combate na sociedade brasileira

Enviada em 26/11/2025

Djamila Ribeiro afirma que o primeiro passo a ser dado para solucionar uma questão é tirá-la da invisibilidade. Na realidade brasileira, a crítica da autora é verificada no tráfico de pessoas, que consiste na exploração sistemática de indivíduos — especialmente mulheres, crianças e jovens vulneráveis — para fins como trabalho forçado, exploração sexual e adoção ilegal, permanecendo muitas vezes oculto aos olhos da sociedade. Com isso, emerge um problema sério, em virtude da negligência estatal e da influência midiática que banaliza ou distorce a gravidade do tema.

Nesse cenário, ressalta-se, de início, que a negligência do governo é um fator do problema. John Locke definiu que “as leis fizeram-se para os homens e não os homens para as leis”. De fato, a legislação tem papel crucial no combate ao tráfico de pessoas, visto que a ausência de fiscalização eficiente, a lentidão judicial e a falta de políticas públicas preventivas facilitam a ação de organizações criminosas.

Além disso, outro fator agravante é a influência midiática. Chimamanda Adichie defende que a mudança do “status quo” — o estado das coisas — é sempre penosa. Tal conjuntura está presente no tráfico de pessoas, uma vez que a mídia, ao priorizar conteúdos sensacionalistas ou superficiais, reduz a complexidade do tema e não promove a conscientização social necessária para identificá-lo e denunciá-lo.

Portanto, é indispensável intervir sobre esse cenário. Para isso, o governo federal deve ampliar e fortalecer políticas públicas de prevenção e investigação, por meio do aumento de verbas para fiscalização, capacitação de agentes de segurança e criação de campanhas educativas permanentes, a fim de reduzir a vulnerabilidade social e dificultar a atuação das redes criminosas. Tal ação pode, ainda, incluir parcerias com estados, municípios e organizações da sociedade civil para ampliar o alcance das iniciativas. Paralelamente, é preciso agir sobre a influência midiática, incentivando a produção de conteúdos educativos e responsáveis sobre o tema. Dessa maneira, será possível superar a invisibilidade de que Djamila Ribeiro falou.