Tráfico de pessoas: os desafios do combate na sociedade brasileira

Enviada em 14/06/2023

A novela Salve Jorge retratou o drama de jovens brasileiras que foram levadas para Istambul sob proposta de empregos com melhores remunerações, contudo, tornaram-se vítimas da comercialização de mulheres. Longe da ficção, a história se repete com inúmeras pessoas sofrendo com o tráfico humano, seja ele com fins sexuais, como na telenovela, ou não. Assim, é lícito avaliar como a desigualdade social e o descaso que a sociedade dá ao tema contribuem para a perpetuação dessa problemática.

Deve-se pontuar, de início, que a população mais pobre é mais susceptível a esse tipo de violência. Nessa perspectiva, segundo o autor Ariano Suassuna, o Brasil é dividido em dois, o país dos privilegiados e o país dos despossuídos. Sob esse viés, os “despossuídos” são marginalizados da sociedade, não possuem educação de qualidade e, consequentemente, têm empregos precários. Dessa forma, sem instrução e em busca de melhores oportunidades, caem facilmente em propostas milagrosas de empregos com altos salários, e se tornam vítimas do tráfico humano.

Outrossim, diz respeito à falta de debate sobre o assunto. Sob esse viés, segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, há a prática de uma política de eufemismo no país, na qual determinados problemas tendem a ser suavizados por não receberem a atenção necessária. Logo, não expor o problema faz com que não se crie medidas para contorná-lo. Assim, o tráfico humano continua sendo um problema recorrente.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para que a educação estimule à consciência. Dessa forma, é dever do Governo – Ministério da Educação – promover o ensino crítico, por meio da implantação de aulas de debate, nas escolas, que discutam sobre questões emergentes na sociedade, como por exemplo, o tráfico de pessoas. Espera-se, com essa providência, que menos pessoas se submetam a situações que desrespeitem seus direitos e que a comercialização de pessoas seja presente apenas na ficção.