Tráfico de pessoas: os desafios do combate na sociedade brasileira

Enviada em 30/08/2023

A telenovela brasileira “Salve Jorge” apresenta a trama da Morena, vítima de uma quadrilha de tráfico humano internacional ao aceitar trabalhar no exterior. De maneira análoga, esse cenário retrata atualmente a situação trágica de uma parcela vulnerável da sociedade. Diante disso, é fundamental entender o que impede extinguir a exploração de pessoas.

Nesse contexto, depreende-se que a negligência pública é um fator para a manutenção desse problema. Acerca disso, a Constituição Federal de 1988, assegura que todo indivíduo tem direito à vida e a liberdade. Todavia, a realidade brasileira sofre divergências, uma vez que, o Estado, apesar de garantidor de direitos fundamentais, não promove políticas públicas, fato observado no pouco investimento em ações educacionais com objetivo de instruir o público jovem sobre a existência da exploração de pessoas, seja sexual ou laboral, o que por conseguinte, pode gerar a deterioração da qualidade de vida dessas vítimas, pela falta de prevenção. Dessa forma, torna-se evidente que a deficiência estatal representa um preocupante empecilho para a superação dessa mazela.

Além disso, a desigualdade social também motiva o contrabando de pessoas. Diante do exposto, o historiador José Murilo em sua obra “A cidadania no Brasil: o longo caminho” defende que a discrepância social impede a construção de uma sociedade equitativa. Sob essa lógica do autor, a situação de pobreza é uma condição implicante, uma vez que, a vulnerabilidade é uma situação que leva a aceitar circunstâncias sub-humanas de viver e trabalhar de quem possui mais privilégios, o que, resulta na violência e exploração. Assim, enquanto a injustiça econômica e social se mantiver, difícil será alterar o quadro nacional.

Dessarte, em virtude desses nocivos episódios, é primordial atenuar o entrave abordado. Para tanto, o Governo – a gente responsável pelos interesses sociais e econômicos da sociedade – em parceria com as escolas deve promover a conscientização das pessoas por meio de palestras e debates sobre como identificar, os perigos e como evitar o tráfico humano, principalmente com os jovens, parcela mais atingida pelo problema abordado. Desse modo, a tragédia vivenciada na novela permanecerá apenas na ficção.