Tráfico de pessoas: os desafios do combate na sociedade brasileira

Enviada em 02/11/2023

A telenovela “Salve Jorge”, produzida pela TV Globo em 2012, apresenta a história da protagonista Morena, moradora do Complexo do Alemão que recebe uma proposta para trabalhar no exterior. No entanto, por trás do convite para trabalhar fora do país, existe uma grande rede de tráfico internacional de pessoas. Fora do limite da ficção, a negligência estatal e a desigualdade social acentuam o tráfico de humanos no Brasil. Diante do exposto, faz-se necessária a discussão acerca do tráfico de pessoas e os desafios de combate a sociedade brasileira.

Dito isso, em um cenário de proeminente negligência estatal, pessoas traficadas - em sua maioria mulheres, pobres e desempregados - vivem em condição extrema de vulnerabilidade, privados de serviços públicos sociais como educação, saúde, saneamento básico e afins. Nesse sentido, Milton Santos estabelece o contexto de cidadania mutilada, o qual se refere a indivíduos que, por conta das desigualdades socioeconômicas, tem sua posição de cidadãos ameaçados. Dessa forma, abandonados por um Estado que deveria assegurar suas necessidades, esse grupo de pessoas enfrenta a precarização de sua qualidade de vida e, consequentemente do exercício de sua cidadania.

Ademais, para além da segregação que sofrem por parte do Estado, a falha educacional também enfatiza o problema. Para Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange ao tráfico de pessoas, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que ajam na resolução da questão.

Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para a resolução desse impasse. Logo, o Estado - promotor do bem-estar social - deve garantir, por meio da mobilização de recursos para a elaboração de políticas públicas voltadas para a conscientização e denúncia do tráfico humano no Brasil, promovendo palestras e debates acerca desse tema. Concomitantemente, as escolas devem assegurar aos brasileiros uma formação educacional que promova a inclusão, por um processo de ensino-aprendizagem que promova a educação acerca do tráfico de pessoas.