Tráfico de pessoas: os desafios do combate na sociedade brasileira

Enviada em 02/03/2024

“A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. A frase do filósofo francês Sartre, ainda que difundida no passado, continua a fazer-se presente na contemporaneidade e, evidentemente, o combate do tráfico de pessoas na sociedade brasileira é um desafio ainda não solucionado. Além disso, a ineficiência da segurança pública e do registro civíl contribuem para a perpetuação desse tipo de violência.

É de comum acordo que a segurança pública brasileira perdeu seu prestígio a muitas décadas. Fugas prisionais, facções criminosas e contrabandos fazem parte do cotidiano e abrem brecha para um problema crítico: tráfico humano. Milhares de pessoas desaparecem todos os anos e dificilmente são encontradas. De acordo com a ONU( Organização das Nações Unidas), só em 2020 8000 pessoas foram vítimas de tráfico humano no Brasil. Isso revela que, quando se trata desse tipo de crime, os orgãos responsáveis pela manutenção da ordem são incapazes de assegurar direitos básicos aos brasileiros, como a liberdade.

Ademais, a invisibilidade de milhares de brasileiros acarretada pela ineficiência do registro civíl, permite que grupos ligados ao tráfico humano sequestrem crianças e adolescentes que não possuem identidade, tendo em vista que eles aproveitam da situação para traficarem pessoas que dificilmente serão localizadas. Situações como essa, vivida pelas crianças da Ilha de Marajó no Maranhão, revelam um hábito enraizado desde o período colonial quando europeus roubavam crianças indígenas para servirem de exposição na europa.

Por isso, torna-se urgente a tomada de decisões que extinguam o tráfico humano no Brasil. Cabe ao Ministério da Justiça e Segurança pública direcionar investimentos para as diferentes polícias a fim de capacitar policiais especializados no combate e identificação de grupos de tráfico humano. Além disso, o Governo Federal deve idealizar políticas públicas que facilitem o registro civíl, como mutirões de registro nas áreas mais isoladas do país. Somente assim, a segurança pública resgatará seu prestígio em garantir a liberdade dos brasileiros.