Tráfico de pessoas: os desafios do combate na sociedade brasileira
Enviada em 15/04/2024
Como uma vez dito por Thomas Jefferson, ex-presidente dos Estados Unidos, “o preço da liberdade é a eterna vigilância”, e é isso que faz-se ausente quando o assunto é o tráfico de pessoas ocorrido no Brasil. Isso acontece devido à negligência governamental quanto à existência de sites paralelos e à situação de vulnerabilidade sofrida por mulheres e jovens, sobretudo os periféricos, na sociedade brasileira.
Em primeira instância, vê-se o grande descaso governamental para com o tópico a partir da permissão da existência e continuidade de mercados clandestinos ao não serem tomadas medidas necessárias e explícitas para sua descontinuidade. Além disso, a forma com que o assunto é tratado midiaticamente é insuficiente, já que é velada e quase inexistente. Esse é o caso, por exemplo, da série colombiana “Coração Marcado”, que embora não seja uma produção brasileira, evidencia como esse assunto é tratado de forma parcial e particular, sem apoio governamental concreto.
Paralelo a isso, vale frisar o abandono sofrido pelas mulheres e crianças excluídas ao longo da história de um país misógino e fechado com a branquitude e sua supremacia, que ainda hoje se fazem presentes nos postos de privilégio. Isso é evidenciado no filme brasileiro “Cidade de Deus”, lançado em 2002, que ajuda a entender, de forma clara, como o desprezo sistemático sofrido por essa população subjugada propicia e contribui para a permanência do tráfico humano no país.
Dessa forma, é possível depreender que o debate quanto a esse tema é imprescindível para seu tratamento, e que esse, por sua vez, deve ser realizado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em conjunto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, de forma a reduzir a incidência das atividades de compra ilegal por meio do derrubamento desses endereços virtuais. Além do mais, a colaboração social quanto à temática histórica da população, bem como o investimento do Estado em aumentar a carga horária de aulas que incentivem os alunos a essa desconstrução, como história, sociologia e projeto de vida, são caminhos para o combate do tráfico humano no Brasil.