Tráfico de pessoas: os desafios do combate na sociedade brasileira

Enviada em 12/09/2024

A Constituição Federal, documento jurídico mais importante no país, prevê o direito a liberdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o tráfico de pessoas no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Com isso, emerge uma vicissitude séria, em virtude da negligência governamental e da inatividade populacional.

Primeiramente, é imperioso notar que a indiligência das autoridades reforça o problema. Perante esse exposto, o sociólogo Bauman utiliza o termo “Instituição Zumbi” para simbolizar as entidades que não cumprem seu papel previamente estabelecido. Seguindo o raciocínio, os órgãos públicos ao invés de fiscalizarem de forma eficaz a documentação para a entrada e saída de pessoas nos aeroportos e rodoviárias nacionais, apenas analisam a veracidade das informações nos papéis de forma superficial, o que, infelizmente, facilita para que um grande número de mulheres e crianças vulneráveis sejam contrabandeadas para diversas localidades do país.

Ademais, é fundamental apontar o medo como catalisador desse revés. Pertinente a isso, na novela Salve Jorge, quando duas garotas que são obrigadas a trabalharem como prostitutas pedem ajuda a um cliente homem, ele sai correndo com receio de que os bandidos que as aprisionam possam lhe fazer algum mal. Analogamente, na realidade, muitas dessas vítimas não conseguem sair dessas situações por não receberem ajuda de alguém. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Em suma, cabe as mídias, por meio de propagandas publicitárias, estimularem o povo a denunciar possíveis atos suspeitos, destacando que isso pode ser feito de forma anônima e disponibilizando o telefone para entrar em contato com as autoridades. Além disso, essas fontes de informações devem orientar a população a exigir da polícia que reforce a segurança em locais de transportes entre cidades e estados. Assim, criar-se-á uma sociedade mais empática, na qual todos possam gozar de seus benefícios garantidos por lei.