Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 21/10/2021

O sociólogo T.H Marshall identificou que os direitos civis, sociais e políticos formam a sociedade moderna. No Brasil, entretanto, o tráfico humano rompe com esses direitos, representado um problema que deve ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade. Nesse sentido, convém analisar a negligência governamental e a falta de conhecimento perante o assunto como os principais responsáveis pelo quadro.

Em primeiro lugar, é indubitável que o descaso do governo está entre as causas do impasse. Nesse horizonte, segundo o filósofo Thomas Hobbes, “É dever do governante assegurar o bem-estar de todos os cidadãos”. Esse pressuposto permite afirmar que, se o Estado não fizer políticas públicas que garantam a integridade e a dignidade dos membros da sociedade, muitos indivíduos continuarão sendo vítimas da exploração, comercialização e privação de suas vidas. À vista disso, é interessante ressaltar que, muitas vezes, o governo não investe no trabalho, na educação e na perspectiva de futuro, o que acarreta a desigualdade social e a pobreza e, assim, os brasileiros ficam vulneráveis ao tráfico humano e à exploração. Dessa maneira, eles têm seus direitos violados e negados.

Outrossim, conforme Sócrates, “Os erros são consequência da ignorância humana”, logo, o desconhecimento, em relação ao tráfico de pessoas e suas consequências para a sociedade, contribui, diretamente, na problemática. Dessa forma, é válido destacar que a escola, principal instituição de formação social e do pensamento crítico, não recebe incentivo governamental suficiente para abordar o assunto dentro da sala de aula e o resultado desse fato é a formação de jovens alienados aos problemas sociais. Por consequência, não observam e compreendem a transferência de pessoas, por meio de ameaças e violação da liberdade, como um empecilho que deve ser analisado e debatido socialmente e, assim sendo, não lutam pela resolução do problema. Então, o tráfico, a exploração e a comercialização de seres humanos persistem no Brasil.

Diante dos fatos mencionados, é necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para livrar os brasileiros dessa questão. Posto isso, é dever do Ministério da Educação, por meio de incentivo e investimento escolar, aumentar a carga horária do aluno dentro da sala de aula. Deve-se, então, elaborar um plano que coloque em evidência não só a importância do debate sobre o tráfico de pessoas, como também a necessidade de argumentar com o governo para resolver as causas do impasse, de modo que o primeiro passo seja colocar o problema nos livros didáticos, para o assunto ser devidamente estudado e, assim, aumentar a criticidade dos estudantes relativo ao tema. Desse modo, tem-se um país em que os direitos previstos pelo Marshall são respeitados.