Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 21/10/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra”. A frase retirada do poema de Carlos Drummond refere-se a um determinado problema enfrentado por um indivíduo. Nota-se que, no Brasil, o tráfico humano pode ser associado a essa pedra, causado, muitas vezes, pela ineficiência dos canais de migração legais, e sendo responsável pelo alto índice de exploração sexual. Dessa forma, há necessidade de solução.

É preciso considerar, antes de tudo, que a ineficácia dos canais de migração legais é um elemento propulsor do impasse. Nesse sentido, de acordo com Norberto Bobbio, a dignidade humana é uma característica intrínseca ao homem, capaz de dar-lhe o direito ao respeito por parte do Estado. No entanto, nota-se a negligência governamental em não criar políticas públicas eficazes para o controle dos canais de migração, o que gera, infelizmente, o alto índice de tráfico. Dessa maneira, de acordo como site da UOL, no Brasil, foram abertos, de 2005 a 2011, cerca de 514 inquéritos pela Polícia Federal acerca de tráfico humano.

Ademais, o filme “Eu sou todas as meninas” aborda o desaparecimento de algumas jovens, as quais eram vendidas para árabes e exploradas sexualmente. Desse modo, fora da ficção, de acordo com o site da UOL, cerca de 337 vítimas do tráfico sofreram exploração sexual. Sendo assim, o abuso sexual fere a dignidade humana defendida por Bobbio, uma vez que pode gerar consequências psicológicas, tais como depressão, fobia, estresse e até mesmo o suicídio. Assim, é imprescindível a tomada de medidas para a reformulação desse quadro.

É necessário, portanto, que haja mudança nesse cenário. Logo, o Ministério da Saúde deve criar a “Semana Contra o Tráfico Humano”, a qual apresentará relatos de vítimas e abordará sobre as consequências físicas e psicológicas através de teatros. O evento será de fácil acesso, por meio de canais de televisão aberta, como a rede Globo, a fim de que ocorra a conscientização de toda a população. Por conseguinte, o tráfico de pessoas não será mais uma “pedra no caminho”.