Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 10/11/2021

O Brasil cultiva em seu desenvolvimento uma estreita relação com o tráfico de pessoas. A escravidão nos engenhos de açúcar, o trabalho imigrante nas lavouras de café e as mais diversas faces dessa tétrica rede de exploração delineia nossa história. De modo hodierno, a prostituição de menores e as obscuras entranhas da indústria têxtil são os pontos de encontro principais dessa rede. A existência do tráfico humano só pode ser entendida ao analisar o ponto de vista de quem o contrata e de quem o sofre calado.

Em primeira análise, a existência do tráfico humano só é possível devida as demandas da sociedade. Como observado pelo sociólogo Darcy Ribeiro, o processo de reprodução capitalista tem como base a maximização do lucro. Sob essa ótica, entende-se as razões de setores privilegiados ao optarem por esses serviços ilegais. A contratação de menores de idade ou imigrantes ilegais, por mais que desumana aos olhos da lei, é mais rentável aos olhos do capital. Ass longas jornadas de trabalho, baixa remuneração e o controle sobre a vítima esboçam a imensa vantagem ao utilizar vítimas de tráfico humano.

Em segunda análise, a permanência desse crime é sustentada pela falta de denúncias. De acordo com dados fornecidos pela Polícia Federal (entre 2005 e 2011), mais de 75% das vítimas de tráfico humano sofreram exploração sexual. Diante disso, questiona-se  - dada a gravidade - a baixa incidência das denúncias. No entanto, isso ocorre devido ao processo de alienação sofrido pela vítima, que a torna alheia a exploração sofrida, seja por receber remuneração, quanto por ser introduzida muito cedo nessa realidade e crer não existir outra melhor.

Destarte, frente ao que fora apresentado, vê-se necessidade interventiva para solucionar  problema. Para combater o tráfico humano no Brasil, urge que o Ministério Público, em parceira com a Polícia Federal, investigue as regiões mais suscetíveis a ocorrer esse crime por meio do policiamento. Por conseguinte será possível enfrentrar o tráfico humano em sua origem, promover segurança às famílias assediadas e alterar a realidade brasileira. Rompendo, dessa forma, as amarras presentes na história de nosso desenvolvimento.