Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 22/10/2021

O livro “O Príncipe Cruel”, da autora Holly Black, retrata o péssimo tratamento recebido pelos humanos dentro do Reino das Fadas, abordando, em um de seus capítulos, a história de Sophie, uma humana enganada com promessas de emprego e melhoria de vida que, após aceitar a oferta, acaba sequestrada de seu mundo e destinada ao trabalho escravo dentro da mansão de um dos filhos do rei. Não distante da literatura, a história da personagem se assemelha ao cotidiano de diversos indivíduos na sociedade brasileira, que são, frequentemente, traídos com promessas de mudanças benéficas e milagrosas para suas vidas, mas que, no fim, acabam expostos ao perigo e às tramas do tráfico humano. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas o silenciamento e a impunidade.

Dessa forma, em primeira análise, a falta de debates é um desafio presente na questão. Nadejda Mandelstam afirma que “o silêncio é o verdadeiro crime contra a humanidade”. Tal crime está instaurado na pauta do tráfico humano no Brasil, considerando que, ao se exporem à falta de discussões sobre o tema, a população automaticamente acaba por tornar-se desinformada e, por fim, incapacitada de criar um plano de ação contra este problema, bem como de ajudar, se importar ou se ater às queixas daqueles que já estiveram expostos a essa situação. Assim, é urgente tirar a questão da invisibilidade para que soluções passem a ser promovidas.

Em paralelo, a falta de ações corretivas é um entrave no que tange à temática. O jornalista Carlos Lacerda afirmou que “a impunidade gera a audácia dos maus”. Tal audácia revela-se de forma cruel em relação ao contrabando humano, visto que, ao não serem punidos e repreendidos por seus atos ilegais, os indivíduos que praticam esse crime são, de certa forma, incentivados a continuar com essas ações, ao não encontrarem nenhum empecilho em seu caminho que impeça seus objetivos de se concretizarem facilmente, saindo ilesos das situações que promovem, por mais horríveis que estas sejam para com as vítimas. Sendo assim, é necessário desencorajar tal audácia. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.

Para isso, a Netflix deve criar um documentário que retrate e conte as histórias de vítimas que já foram expostas ao tráfico humano, bem como a forma como foram resgatadas e como isso se concretizou, atendo-se também a evidenciar formas de se proteger deste crime, afim de reverter o silenciamento que impera. Tal ação pode, ainda, contar com a contribuição de comerciais televisivos que retratem a questão e meios para identificar indícios de que ela ocorrerá. Paralelamente, é necessário intervir sobre a impunidade presente no problema. Consequentemente, menos indivíduos como Sophie estarão sujeitos ao terror e ao trauma do rapto.